Plantando árvores em vasos

Grumixama

Uma forma de estabelecer uma relação com a natureza, para quem mora nas grandes cidades, é o cultivo de plantas. Tanto em casas como em apartamentos, pode-se fazer hortas, pequenos pomares e jardins. Com fins paisagísticos ou meramente para nosso prazer e alimentação. A ideia não é nova. Desde a antiguidade as pessoas cultivam plantas em ambiente doméstico. No caso de árvores plantadas em vasos há citações entre gregos, romanos, persas, egípcios e, mais recentemente, na Inglaterra, França, Itália e outros países.

Plantar árvores em vasos é ideal para jardins onde o espaço é limitado. Os benefícios desta atividade são inúmeros. Gera um efeito agradável e ornamental, mais valorizado ainda quando utilizados vasos decorados e com formatos harmônicos. É possível cultivar árvores mesmo em pequenos espaços, podendo ser facilmente deslocadas para lugares mais adequados ou quando as condições climáticas forem muito adversas. E, mesmo quando ocorre uma mudança de residência, podemos levar as árvores conosco.

Mas para começar nesta atividade é indicado estudar as espécies escolhidas e planejar bem o local a ser utilizado. Estou envolvido no plantio de árvores há pelo menos 3 anos. Tenho uma centena delas, plantadas nestas condições, no pátio de minha casa. E estou diariamente aprendendo pois trabalho em uma grande floricultura onde sempre estamos lidando com estas tarefas. Considero os seguintes itens importantes para o sucesso em uma atividade desta natureza: a planta, o vaso, a drenagem, a terra, o plantio, a irrigação e a adubação.

A planta : O cultivo em vasos permite que inúmeras árvores possam ser utilizadas com este fim. Mas ao adquiri-las devemos levar em consideração algumas características importantes da planta e noções técnicas do método que está sendo utilizado. O melhor é escolher uma planta de tamanho médio, com galharia bem formada e distribuída. As folhas devem ser saudáveis, sem a presença de doenças ou ataque de pragas. Plantas muito pequenas precisarão ser cultivadas em potes menores até serem transplantadas para o vaso que queremos. Em geral, precisa-se de uma área de 2m² para cada vaso com árvores de porte médio ou maiores.

A finalidade das raízes, além da fixação, é a absorção de água e nutrientes. Temos que ter em mente que quando plantadas diretamente no solo, a exploração do espaço é muito ampla e em recipiente fechado, isto fica bastante limitado. Como consequência, o tamanho da planta também ficará limitado ao tamanho do vaso. A necessidade de irrigação e adubação, da mesma forma, irá aumentar.

Espécies muito vigorosas ou de crescimento muito rápido devem ser evitadas pois logo não se ajustarão e irão quebrar o vaso. Isto exigiria trocas constantes para recipientes maiores. Uma altura média ideal seria entre 1,5 a 2,5 m. Mas para cada local deve-se fazer um estudo. Escolha árvores que tenham crescimento lento ou moderado e que aceitem bem podas. Plantas que crescem até 30 cm por ano são consideradas de crescimento lento. Já um acréscimo anual de 30 a 60 cm indicam plantas de crescimento moderado.

Como exemplo, a nível de frutíferas, poderia ser citado: figo, pitanga, acerola, goiaba, araçá, cítricos, jabuticaba, bacupari, seriguela, romã, anonáceas, ameixa da mata, guabiroba, cereja do rio grande, cambuci, grumixama, cabeludinha, uvaia, entre tantas. Outras como ipês, pau ferro, pata de vaca, sibipiruna, canafístula, etc, que são maiores, também podem ser utilizadas, mas com os devidos cuidados para se manterem vistosas e saudáveis.

O vaso
: Os vasos que encontramos no mercado são de vários tamanhos e formatos. Esta diversidade dificulta a mensuração de volume mas o diâmetro é um bom parâmetro. Alguns informam o volume, o que ajuda muito. Selecionar o tamanho certo para a árvore que se pretende estabelecer é muito importante para proporcionar às raízes o espaço adequado para seu desenvolvimento.

Há duas situações que percebo nesta escolha:

1) Estima-se a altura que a árvore deverá atingir e optamos por um vaso definitivo. Para o tamanho até 2,5m, citado anteriormente, um diâmetro de 50 – 70 cm com profundidade similar estaria bem. Para árvores com tamanho menores, dimensões de 30 – 50 cm, tanto de diâmetro como de profundidade, seria o suficiente.

2) Inicia-se com uma planta pequena e periodicamente, vai-se trocando o vaso para tamanhos maiores, compatíveis com seu crescimento. Mas sempre devemos começar com um vaso no mínimo o dobro daquele em que a planta se encontra. Esta troca pode demorar um ano ou mais, dependendo das condições da árvore e do local.

Na dúvida, sempre é melhor escolher vasos maiores do que menores. Mas, no inicio, o vaso precisará de no mínimo 15 – 20 litros de volume para que as raízes possam se desenvolver bem. Existem também nas lojas do ramo, recipientes chamados de macetas (embalagem para mudas). São vasos plásticos reciclados, de consistência flácida, de diversos tamanhos e custo baixo. Servem de local intermediário para a planta, entre o desenvolvimento inicial até o plantio em local definitivo. Nas floriculturas e viveiros produtores é o recipiente mais utilizado. Se a pessoa tem espaço em sua casa ou propriedade, é possível cultivar, por longos períodos, árvores de qualquer porte. Desde que sejam adubadas periodicamente (por volta de 4 vezes ao ano) e tenham a maceta trocada por outra maior quando necessário.

Voltando aos vasos, restaria ainda comentar sobre os materiais utilizados. São muito variados. Cerâmica e concreto (vitrificados ou brutos), fibra de vidro, plástico, resinas, etc. Esta escolha dependerá da planta e do local. Ambientes ventosos exigirão materiais mais pesados e com diâmetro maior que a profundidade, para propiciar mais base.


Drenagem : É o processo de escoamento da água de irrigação (ou da chuva) que entra no vaso. Sua importância é muito grande pois sem fazê-lo a água se acumularia no fundo, ocasionando o apodrecimento das raízes. Na base deve haver pelo menos um furo. Se tiver mais melhor. 

Na sequência, coloca-se uma camada de 3 a 5 cm de brita ou argila expandida no fundo do vaso, tendo o cuidado de proteger o furo com algo maior, como um caco de telha ou pedra. Isto porque pode acontecer de alguma das bolotas de argila cair no furo e trancar a saída da água. Após, coloca-se o bidim. É um feltro poroso composto de milhares de filamentos sintéticos feitos da reciclagem de garradas pet. Sua finalidade é permitir que a água saia sem a perda de terra e servindo de barreira para que as raízes não atingirem o material drenante. Pode-se também colocar o bidim no fundo do vaso, abaixo das britas (ou argila). Claro que sem abdicar daquele colocado acima do material de drenagem.

A terra : Antes de tratar do item propriamente dito, gostaria de tecer algumas considerações sobre os tipos de “terra” oferecidos no mercado. Bem como alguns conceitos. Penso que há uma grande confusão sobre isto, ideias divergentes e, às vezes, equivocadas.

Pelo que aprendi na faculdade, o termo substrato vem do latim: sub (embaixo) e stratu (camada). Ou seja, é o que está abaixo de uma camada de qualquer natureza. Sua função é a fixação e desenvolvimento das raízes para propiciar o crescimento de uma planta. Já solo (ou terra), agronomicamente, é definido como uma mistura de rochas decompostas (processo que leva milhares de anos), organismos vivos, húmus (matéria orgânica em decomposição ou já decomposta), ar e água. A terra é o meio onde as plantas fixam as raízes e se nutrem. Assim, parece claro a meu ver que a terra é um substrato.

No entanto, à nível de comércio, estabeleceu-se uma diferença entre os termos. Terra é aquela que está na natureza e substrato é todo o material usado para o cultivo das plantas que não contenha a terra in natura. A partir destes dois conceitos fundamentais existem outros termos agregados que estão no dia a dia do mundo da jardinagem. E merecem ser estudados.

A terra vegetal ou orgânica ou preta é uma combinação da terra natural e matéria orgânica. Pode ser uma formação espontânea (pela decomposição de restos vegetais como folhas, galharias e frutos) ou pela adição de materiais orgânicos (como estercos, turfas, etc). No caso de ser de formação natural, geralmente a matéria orgânica tem camada bem superficial e, em um espaço de tempo curto, deverá receber um acréscimo nutricional com adubação.

Terra adubada é uma mistura de terra natural mais compostagem (ou outro adubo orgãnico) e/ou fertilizantes químicos.

Composto é o produto oriundo da decomposição de matéria orgânica. Pode ser de restos de cozinha, de podas, resíduos de culturas, etc. Todo o composto necessariamente possui etapas de decomposição e fermentação. Possui características físicas, químicas e biológicas que beneficiam a terra. Não deve ser usado isoladamente no cultivo de plantas, sempre misturado com o solo. Podem ser melhorados com a adição de cinzas, cascas de ovos moídas, etc.

Substrato é uma composição de diferentes materiais orgânicos e inorgânicos misturados. Proporcionam boa aeração, nutrientes e condições de desenvolvimento das plantas. Não contém terra natural e apresentam algumas vantagens por isto, bem como alguns inconvenientes. As vantagens são a leveza e a ausência de pragas e patógenos. A desvantagem maior é que com certeza há carência de algum elemento essencial que a terra naturalmente possui. E também substituem a terra apenas por um certo tempo pois não conseguem reter água adequadamente podendo gerar desidratação nas plantas se não irrigadas com a frequência necessária.

Condicionadores de solo são produtos que melhoram as condições e propriedades físico-químicas e biológicas do solo. Estas propriedades do solo incluem capacidade de troca de cátions, ph, retenção de água, compactação entre outras. Os condicionadores reparam os danos causados ao solo e ajudam a manter a qualidade necessária para a vida da planta.
Os condicionadores podem ser sintéticos, naturais, orgânicos e inorgânicos. Como orgânicos podemos citar a farinha de osso, compostos, palhas, vermiculita. Já o calcário, resíduos de siderurgia, fosfogesso são inogânicos.

Turfa é o produto da decomposição vegetal ao longo de milênios que deposita-se em camadas, sob certas condições. Incorporada ao solo, melhora as condições físico químicas do mesmo. Atualmente vem sendo muito utilizada na mistura de condicionadores de solo.

Húmus é uma camada na superfície da terra constituída pela decomposição total ou parcial de plantas e animais.

Húmus de minhoca é simplesmente o esterco de minhoca. A minhoca ao digerir a matéria orgânica em decomposição, absorve 40% deste material e o restante vira húmus. É um adubo que ativa o crescimento das plantas pela presença em sua composição de hormônios de crescimento e ácidos húmicos. Considera-se também que possui capacidade de controlar pragas e doenças, principalmente fungos. Possui cerca de 1,5% de N, 1,3 de P e 1,7 de K, além de Ca, Mg e inúmeros micronutrientes. Melhora as condições físico, química e biológica do solo.

Inoculante é um produto que introduz no solo microrganismos que fixam nutrientes para uso pelas plantas. A fixação de N é o mais comum. É altamente ecológico pois é um processo natural. Já a utilização de adubos nitrogenados emitem a cada cem kg aplicados no solo, uma tonelada de gases que causam o efeito estufa.

Talvez faltem algumas definições mas acho que o acima exposto já pode ajudar bastante. Ainda teria a salientar que dentro de uma classificação de corretivos do solo, podem existir produtos que se enquadram em mais de um conceito. O produto precisa ser avaliado por sua atuação no solo. Assim, quando os corretivos tomam o aspecto de fertilizante, inoculante ou condicionador de solo, devemos claramente definir o seu objetivo.
Voltando ao plantio de árvores, através da prática e observação, fui modificando o conteúdo dos vasos com o tempo. Hoje faço uma mistura de turfa (40%), barro adubado (20%), húmus de minhoca, esterco de galinha ou bovino (40%), mamona e pó de pedra basáltica (em quantidades menores) . Além disto acrescento NPK, em dosagens não muito elevadas e variando se for plantio ou manutenção. Em plantas mais exigentes em drenagem misturo uma parte de areia de rio lavada.

O plantio : Acima do bidim vai uma camada de terra e, na sequência, a planta com o torrão (o mais intacto possível). Lateralmente preenche-se com terra e aperta-se para a planta ficar bem presa. Verifica-se para que esta fique bem centralizada e vertical. Geralmente deixa-se o nível da superfície a uns 2-3 cm da borda do vaso. É opcional, mas recomendado, que haja alguma cobertura (como cascas de Pinus ou alguma matéria orgânica). Isto além da estética, protege o solo e mantém por mais tempo a umidade. E impede que respingos de terra sujem o chão ou a parede quando das regas.
O vaso deve ficar exposto a luz solar no mínimo de 4-6 horas. E, se possível, protegido dos ventos predominantes. Há também a questão da troca de vasos. O tamanho de uma árvore é normalmente proporcional ao seu sistema radicular. Assim, a cada 4-5 anos ou quando houver perda de vitalidade, deve-se fazer um replantio para um vaso maior ou no mesmo. Nesta ocasião poda-se algumas raízes que estão excessivamente enroladas, preenchendo-se com terra nova e irrigando diariamente por uma semana.

Irrigação : Possivelmente este seja o item mais importante ao cultivarmos árvores em vasos. Elas secam mais rapidamente do que quando plantadas no chão. Assim, precisam ser irrigadas mais vezes. Em geral, dependendo do clima da região, rega-se 2-3 vezes por semana. Até mais em verões muito quentes. No inverno, quando as plantas estão mais dormentes, necessitam menos água. Quanto menor for o vaso, mais importante será estarmos atentos a uma irrigação regular.

Adubação : É recomendado adubar a cada 3 meses. Um vaso tem um espaço reduzido de exploração de nutrientes pelas raízes. Diria que é um dos segredos do sucesso no plantio de árvores em vasos. Se faltam nutrientes, não apenas a planta mostrará sinais de falta de vitalidade, como também suas raízes poderão quebrar o recipiente. Isto porque no intuito de buscar novos espaços para sua nutrição, as raízes esbarram na parede dos vasos, forçam e os quebram.
Costumo fazer uma mistura organomineral e colocar sobre a superfície do vaso, molhando em seguida. Uso turfa + matéria orgânica (húmus de minhoca e ou esterco de galinha) + torta de mamona e pó de rocha basáltica, além de NPK 10-10-10 (1-2 colheres de sobremesa rasas / vaso).

Existem várias outras opções de fertilizantes que podem ser também utilizados. Mas importante é que se faça uma mistura que contenha além de NPK, os principais micronutrientes. No caso de matéria orgânica lembrem-se que não podem ser usadas puras. O ideal é de 30 a 50% da mistura. no caso de esterco de aves 30%.

Pragas e doenças : Mesmo que tenhamos todos os cuidados, ainda assim podemos estar sujeitos a pragas e doenças específicas para a árvore que cultivamos. Como lesmas, formigas, pulgões ou fungos. Neste caso, tomam-se as medidas indicadas para tal. Exige estudo profundo e pretendo ir abordando estes temas com o tempo.

Referências :
– Off the Grid News – Eight  advantages to container gardening
– Orange pippin trees.UK – Growing fruit trees in pots and containers
– Green Prophet – How to grow an olive tree in a container
– City of Sidney – Tips for growing trees in pots
– Paisagismo e jardinagem – aplicações do Bidim 
– Sistemas de produção – Substratos – Embrapa
– Life under your feet – What is soil
– Substratos – Cirilo Gruszynsky (Cultivo de flores)
– What Is Your Substrate Trying to Tell You Part I – Robert R. Tripepi – University of Idaho
– Turfa, húmus ou terra vegetal? – Jardim das idéias – Raul Cânovas
– Descubra o que a turfa é -Pensamento verde
– Condicionadores de solo – Agência Embrapa de informação tecnológica – Shizuo Maeda
– What is soil conditioner? – Mike Usry – Southland Organics
– Soil conditioner – Departament of Agronomy kansas State University – John Hickman
– Inoculantes e a sustentabilidade da agricultura – Embrapa agrobiologia
– Húmus de Minhoca: o adubo orgânico mais nobre do planeta – Fábio Morais
– Fotos dos vasos: Verde & Cia Garden Center – Florianópolis

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Cultivo de orquídeas em brita

Dendrobium pierardii

Dendrobium pierardii

Brita – o que é

Brita são rochas trituradas por máquinas formando diferentes tamanhos de pedras. O tipo de rocha não importa, sendo as mais comuns as basálticas. O destino principal das britas é a construção civil, como componente do concreto. Mas tem uma grande variedade de utilizações, como cobertura para estradas e passeios, formação de drenos e, inclusive, como substrato para muitos gêneros de orquídeas. Não apenas para a drenagem no fundo dos vasos, mas como a totalidade do substrato. 

Granulometria

Compradas em lojas para materiais de construções, podemos encontrá-las de várias cores: cinzas, rosadas, esbranquiçadas e até pretas. Também possuem várias granulometrias, específicas para diferentes funções, conforme classificação a seguir.

pó de pedra – de 0 a 3 mm
pedrisco – de 3 a 5 mm
brita 0 – de 5 a 12 mm
brita 1 – de 12 a 22 mm
brita 2 – de 22 a 32 mm
brita 3 – 32 a 62 mm
brita 4 e 5 – de 62 a 100 mm

Vantagens do uso de brita no cultivo de orquídeas

– Pode-se dizer que a maior vantagem sobre substratos orgânicos é o fato de não se decompor. Nos cultivos convencionais é preciso trocar de vaso a cada 2 anos, sempre com traumas para a planta. Usando brita esta troca de vasos ocorreria apenas quando este estivesse danificado ou a planta precisasse de maior espaço ou ser dividida.
– Sendo um material inerte, as pragas e patógenos desaparecem, não encontrando meio adequado para seu desenvolvimento.
– O perigo de encharcamento por excesso de regas ou chuvas diminui pois a drenagem é muito rápida.
– Como a brita é composta de partes grandes, a aeração é excelente, diminuindo o apodrecimento de raízes
– É um material barato.

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Cattleya intermedia

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Cattleya híbrida

Aspectos a considerar

– Por reter menos umidade, as regas poderão ser em maior número. Apesar que por minha observação, a secagem da brita não é tão rápida como dizem. Basta fazer a experiência de colocar um vaso com brita na chuva e 2-3 dias após ainda haver umidade no interior do vaso. De qualquer forma, nunca deixo de molhar menos de 2 vezes por semana naquelas plantas que estão em ambiente coberto. Para os vasos que estão no sombrite, precisamos estar sempre atentos ao tempo. Se não chover na semana é preciso molhar. Em períodos muito secos ou quentes, molho a cada dois dias ou até diariamente. Mas aí são períodos curtos durante o ano em Santa catarina.
– Vasos que estão fora do sombrite, sujeitos ao sol direto, precisam ter as britas cobertas por uma fina camada de esfagno pois, caso contrário, acarretará em aquecimento excessivo das britas podendo queimar as raízes. Já sob telas com 50% ou mais de sombreamento não acontece este problema.
– Brita é um material pesado. Assim, ao utilizarmos este sistema é bom considerar as bancadas que irão suportar os vasos. E, no caso de recipientes pendurados, os arames tem de ser mais resistentes. Uma saída é o uso de argila expandida no fundo dos vasos para diminuir o peso. Em compensação, não é qualquer vento que irá virar um vaso.

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Laelia purpurata

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Dendrobium moschatum com cobertura de esfagno

Como proceder

– O tamanho da brita , conforme classificação acima, ao meu ver seria a nº 1, no máximo a 2. Na parte de cima coloco uma pequena camada de pedrisco, o que impede que adubos granulados orgânicos lixiviem rapidamente.
– Ao comprar a brita, obrigatoriamente, é preciso lavá-la com bastante água corrente para eliminar resíduos inadequados que sempre tem (como restos de areia e cimento). A brita também poderá ser reutilizada no futuro, desde que bem lavada e limpa com substância clorada.
– A colocação da planta no vaso segue os mesmos critérios usados para outros substratos. Plantas de crescimento simpodial devem ter a parte traseira encostada na parede do vaso. E as monopodiais plantadas no centro.
– As espécies que podem ser cultivadas em brita ainda não posso afirmar com certeza. Mas estão satisfatórios, na minha experiência, os gêneros Cattleya, Laelia, Dendrobium, principalmente. Mesmo Phalenopsis, Brassia, Miltônia, Maxilaria, Cyimbidium, híbridos e até algumas micro orquídeas parecem bem depois de 1 ano de observações, inclusive florindo.
– Até a planta se fixar totalmente é bom sustentá-la com um pequeno tutor e / ou arame.
– A adubação que uso é orgânica (mamona + pó de basalto) a cada 3 meses e NPK a cada 15-20 dias.

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Phalaenopsis

Consideração final

Não tenho intenção de contestar nenhum sistema. O melhor é aquele que está dando certo no ambiente onde se encontra. Apenas me recuso, diante de tantas informações e formas de manejo, a simplesmente aceitar algo como definitivo. Inclusive muitas afirmações no mundo das orquídeas carecem de embasamento. De onde vem a informação? Quem assina ? Há algum interesse comercial por trás? O certo é que só a Natureza, com sua surpreendente e inimaginável sabedoria, consegue as condições perfeitas. E quando precisa, recicla, muda.
A nós, que tiramos a orquídea de seu habitat, resta continuar tentando achar a melhor circunstância. E para isto é preciso muita paciência, sensibilidade e discernimento.

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Mini-Phalaenopsis com Dendrobium thyrsiflorum ao fundo

Obs: Todas as fotos são de espécies cultivadas exclusivamente na brita, plantadas há mais de um ano.

Substratos em orquídeas

Substrato no cultivo de orquídeas é aquele material que serve, principalmente, de suporte para a fixação das raízes , além de fornecer alguma fonte de nutrientes e ter capacidade de reter água. Os substratos devem permitir boa circulação de ar e rápida drenagem.
Categorias
Quanto ao substrato, as orquídeas podem ser divididas em algumas poucas categorias: terrestres, rupícolas e epífitas. As terrestres desenvolvem-se nos solos das florestas, vivendo das folhas e galhos em decomposição. As rupícolas fixam-se sobre rochas, geralmente formando touceiras sobre as pedras. E a grande maioria são as epífitas que vivem fixadas nas cascas das árvores (sem prejudicá-las) retirando nutrientes através de raízes que são cobertas com camadas de células brancas chamadas velame. Este velame age como uma esponja para absorver a água e protege as raízes do calor e perda de umidade.

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Ilustração de  Carl von Ossietzky da Universität Oldenburg – Alemanha

Epífitas e seu habitat natural
O hospedeiro apenas fornece suporte para as orquídeas que retiram nutrientes da superfície da árvore e da água da chuva. As raízes adventícias surgem do rizoma e cumprem a função de fotossíntese, absorção e armazenamento de água e nutrientes. As raízes destas epífitas contém cloroplastos para absorver a luz solar e por isto são verdes. Os pseudobulbos acumulam carboidratos, o que permite florescimento e crescimento em épocas secas. Já as folhas, são os órgãos primários para a fotossíntese e algumas são grossas e suculentas. É interessante o mecanismo evolutivo desenvolvido por estas folhas para situações de seca. A abertura dos estômatos para absorver o dióxido de carbono sempre gera perda de água. Para impedir que isto ocorra há um mecanismo que permite a absorção do dióxido de carbono à noite quando a umidade relativa é alta. Este composto é armazenado nos vacúolos e usado durante o dia para a fotossíntese.
Uma vez que vivem embaixo da copa das árvores, em relação ao sol, a luz é parcial, com vários gradientes. Na natureza, uma orquídea não irá se desenvolver em condições de luz que não seja a sua. E isto é fundamental de ser seguido quando as levamos para um orquidário.

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Já as sementes, no meio natural, são espalhadas pelo vento e são pequenas como um pó, carecendo de cotilédones. Isto faz com que não tenham substância de reserva. A solução foi uma interação com fungos que penetram a semente e alimentam o embrião. Nas espécies terrestres e rupícolas também ocorre esta simbiose.
Orquídeas que vivem em árvores requerem excepcional drenagem e aeração. Elas preferem ficar bem secas antes de nova irrigação. Assim, quando fixamos uma epífita em um pedaço de tronco, estamos dando a condição mais próxima do natural. O uso de vasos precisa respeitar estas duas condições: drenagem e aeração. É por isto que há a necessidade de trocar o substrato a cada 2-3 anos pois a parte orgânica se decompõe e fica com uma granulometria similar à terra, o que foge das condições citadas.
Tipos de substratos
Há uma quantidade enorme de materiais que podem ser combinados para formar o substrato dos vasos. Mas como já mencionado, importante é a capacidade para reter água e nutrientes e ter uma superfície adequada para as raízes se fixarem. Em geral é recomendável que seja balanceada entre componentes orgânicos e inorgânicos. Mas, cada um deve achar a melhor situação para o seu orquidário, sua região climática e as espécies que está cultivando. Tentarei analisar alguns substratos com os quais já lidei e posso emitir alguma opinião. No entanto, é certo que um bom tempo de observação é necessário para avaliar um determinado procedimento no cultivo de orquídeas. Pelo menos elas geralmente aguentam nossos erros e tentativas, possuindo muitos mecanismos de sobrevivência. Apesar que perder algumas plantas, eventualmente, faça parte do aprendizado.
Cascas de árvores – Existem no Brasil vários tipos de cascas que podem ser utilizadas como substrato, muitas encontradas apenas regionalmente. Duas são bem populares: a casca do Pinus e a da Peroba. A casca de Pinus é barata , facilmente obtida e retém água razoavelmente. Tem o inconveniente de possuir tanino (precisando ser curada) e se degradar rapidamente (cerca de 1-2 anos). Já a casca de Peroba tem maior durabilidade (até 5 anos) e retém pouca água. Por isto exigem mais regas. Já é mais difícil de adquiri-las, talvez em locais onde a árvore tenha seu beneficiamento. A Peroba forma excelentes troncos para fixar orquídeas.
Para cascas em geral, no comércio são oferecidas em tamanhos desde lascas bem pequenas até as mais grosseiras. E a desvantagem fica por conta da decomposição rápida e consequente compactação, o que aumenta a umidade podendo apodrecer as raízes. A troca de vaso , assim, precisa ser feita com muita frequência.

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Carvão vegetal – É aquele normalmente usado para fazer churrasco. É indispensável que seja novo pois aqueles que já foram usados podem prejudicar a planta. Sua composição química e capacidade de absorver água é variável segundo a espécie usada. Bem comum são os de acácia negra.
O carvão permite boa circulação de ar e drenagem. Retém água de forma moderada, permanecendo sem se degradar por cerca de 2-3 anos. O carvão é poroso e absorve minerais de interesse para a planta tanto quanto substâncias nocivas como resíduos de fertilizantes , defensivos agrícolas ou substâncias tóxicas. Portanto seu uso precisa ser moderado.
No entanto, é um elemento tradicional nas misturas para substratos. Existem pessoas que defendem seu uso alegando inclusive que tem efeitos anti-bacterianos. Há pesquisadores que constataram que há certas toxinas liberadas pelas raízes das orquídeas que seriam filtradas pelo carvão. Por outro lado, existem cultivadores que não o recomendam alegando inclusive a sujeira que gera seu manuseio.

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Fibras – As mais conhecidas são o xaxim e o coco. O xaxim (Dicksonia sellowiana) é uma pteridófita (samambaia) de cujos troncos se faziam vasos para a fixação de plantas (incluindo orquídeas). Mas por causa de uma exploração sem critérios, entrou em ameaça de extinção. Portanto, hoje está fora de cogitação.
Já a fibra do coco é obtida dos frutos que são desfibrados. Após são moldados em diversos formatos como vasos, placas ou bastões. Entre suas vantagens está uma boa capacidade de reter água, custo baixo, leves, fáceis de encontrar e considerável durabilidade. Mas também existem aqueles que não gostam do produto alegando acúmulo excessivo de umidade, presença de tanino (que queima as raízes) e, ao longo do tempo, as orquídeas param de crescer.

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Esfagno – É um musgo que se desenvolve em riachos, açudes e superfície de pântanos. Não sendo cultivado é extraído nestes locais. Isto os colocará logo em ameaça de extinção. Basicamente há o esfagno nacional e o chileno. Este último tem cor rosada em contraste com o outro que é claro (creme). Contém um antisséptico que inibe o crescimento de fungos.
Sua característica principal é a conservação de grande quantidade de água, secando lentamente. Assim, é muito usado em mudas novas e plantas que necessitam boa umidade. É ideal para salvar orquídeas que perderam suas raízes e precisam de recuperação. Para quem utiliza um substrato com base no esfagno, a irrigação deve ser criteriosa para não ocorrer excessos que causariam o apodrecimento das raízes. E é bem comum fornecedores de orquídeas não explicarem como cuidar das plantas cultivadas neste meio. Em condições de irrigação controlada e protegidas da chuva, dificilmente as plantas terão problemas. Mas ao comprar uma muda com esfagno (que estava em local coberto) e a colocarmos na rua, possivelmente haverá perdas em períodos de chuva continuada.
Nos Eua também há relatos de plantas cultivadas em substratos à base de esfagno que morreram pelo uso de adubos líquidos colocados diretamente no substrato. Isto porque o esfagno absorve a maioria da água (e o adubo fica junto) e ao evaporar fica uma alta concentração deste adubo, o que queima as raízes.

esfagno do Chile

Pedras – Geralmente são usadas britas, encontradas em lojas que vendem materiais de construção. Possuem várias granulometrias. É um material inorgânico que evita problemas normalmente comuns em outros substratos. Para começar, a competição por nitrogênio e outros elementos por parte de vários organismos (comum nos substratos orgânicos) desaparece. Como as britas são materiais inertes não se decompõem, evitando as frequentes trocas de vasos. E mesmo quando há necessidade de troca, pode-se reutilizar o substrato, após devida esterilização. Desta forma, o substrato com brita é muito atrativo principalmente em áreas com regime de chuvas intenso. Em locais mais secos a irrigação precisa ser mais frequente. As raízes das orquídeas se enraizam muito bem em pedras mas com sol muito intenso podem gerar aquecimento excessivo no substrato e queimar as raízes. Nestes casos é bom colocar um pouco de esfagno sobre as britas. Cattleyas e Laelias adaptam-se muito bem em brita.

brita

Turfa – É um material formado pela decomposição de musgos e vegetais acumulados em locais pantanosos e áreas alagadiças. Para epífitas, peneira-se a turfa para pegar os torrões maiores. É um conservador de umidade e rico em nutrientes. Mas tem um grande defeito, que é a rápida degradação, ficando como terra, deixando o conteúdo do vaso denso, sem aeração e facilitando o apodrecimento das raízes. Já para orquídeas terrestres é eficiente.
Argila expandida – São bolotas de argila feitas pelo homem. Não apodrecem, formam boa aeração e retém muita umidade. É ideal para misturas ou para colocar no fundo do vaso como drenagem.

argila

Cacos de cerâmica – São tijolos, telhas e vasos de argila quebrados em pequenos pedaços. São duráveis, conservam umidade, e proporcionam aeração. Mas além de não possuírem nutrientes, com o tempo, podem abrigar fungos. Como na argila expandida, é bom para drenagem ou em alguma proporção em misturas.
Caroços – O uso de sementes (açaí, amêndoa, etc) tem aumentado ultimamente principalmente no norte do país. É um material abundante e barato nesta região mas tem a desvantagem de decompor-se muito rapidamente, além de precisar secar os embriões para que não germinem.

açaí

Minerais – Principalmente são utilizados perlita e vermiculita, que são minerais de origem basáltica e vulcânica. Tem grande expansão ao serem aquecidas. Possuem uso industrial e agrícola. No caso das orquídeas, pode ser um componente do substrato. Conserva água e aumenta a aeração.

vermiculita-grossa

Vermiculita

perlita

Perlita

Considerações finais
Resumindo, formular um substrato acaba sendo uma tarefa que reúne muitos elementos, desde o tipo de planta e vaso que estamos usando, os materiais disponíveis e o clima da região, até as preferencias pessoais. Já fiz experiências com vários substratos e num próximo texto pretendo falar especificamente sobre o uso da brita. Exclusivamente brita! E vem dando certo.

Camedórea

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Nome científico: Chamaedorea elegans
Nomes populares: Camedórea, Camedória elegante, Chamaedorea, Palmeira de interior
Família: Arecaceae
Clima: Palmeira de clima tropical com boa tolerância ao frio.
Origem: Florestas nativas do sudeste do México, norte da Guatemala e Belize.
Altura: De 2-3 m. Em vasos cresce proporcionalmente ao tamanho do vaso. Quando o vaso ficar pequeno é a hora de trocar por outro maior.
Luminosidade: Planta de ambientes sombreados ou meia sombra. Evite contato com o sol, bem como exposição a ventos fortes. O sol queima as folhas.
Ciclo de Vida: Perene
Descrição: Planta de agradável aparência, com folhas pinadas verde escuras dentre as quais surgem inflorescências alaranjadas. Os frutos são pequenos e escuros. O crescimento é bem lento.
Local de cultivo: Externamente na sombra. Em interiores, sempre com luz indireta, adapta-se em vários tipos de recipientes. Plantada em tufos, com várias outras mudas tem-se um efeito muito bonito.
Substrato: Utilize solos leves, bem drenados, mantendo moderada umidade. Gosta de turfa e húmus.
Água: Molhe bem a planta quando a parte superficial do solo estiver seca, até ver a água sair pelos orifícios na base do vaso.
Temperatura: Ideal – de 26 a 28ºC Mínima – 12 a 18ºC
Adubação: Mensalmente na estação de crescimento, reduzindo nos demais períodos e parando na estação fria. Aprecia adubos orgânicos.
Propagação: Principalmente por sementes na primavera. Também pode-se produzir mudas de brotos que surgem junto a base. A troca de vaso ocorre a cada 2 anos.
Pragas, doenças e outros problemas: Não ocorrem grandes problemas com esta planta mas podem aparecer cochonilhas e ácaros. Quanto a doenças pode-se citar a podridão negra das raízes e manchas fúngicas nas folhas.
Outras considerações: É uma planta que se adapta bem ao ambiente de fontes de água.

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Caracóis em orquídeas

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Zonitoides arboreus

Caracteristicas e biologia

Este pequeno molusco de cor marrom amarelada possui por volta de 3 mm quando adulto. O corpo, no interior do caracol, é azul escuro acinzentado. Esta praga alimenta-se das raízes grossas que saem da base e que fixam a planta ao substrato. Desta forma desestabilizam a planta e a enfraquecem, impedindo sua venda até que a infestação seja controlada e as raízes voltem ao normal. E bastam poucos caracóis para causar grandes danos. Uma grande número destes moluscos podem matar a planta.

São pragas crepusculares e noturnas sendo que durante o dia vivem embaixo de cascas ou dos potes das orquídeas. Seus ovos são depositados no substrato. Encontram o ambiente ideal para seu desenvolvimento em substratos de cascas. Seus danos não se restringem a lesões nas raízes, mas também a entrada de fungos nocivos através destas lesões. A forma mais comum de infestação é pela compra de plantas com substratos infestados (principalmente aqueles que contém cascas e fibras de coco ou xaxim). Também adubos orgânicos (como o bokashi) podem conter ovos.

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Ovos não passam de 1 mm – Foto da US Pacific Basin Agricultural Research Center

Muitas vezes deixam uma trilha prateada por onde se locomovem. Quando as encontramos no orquidário ou nos vasos é sinal de alerta, pois poderemos ter problemas com as orquídeas. Estas criaturas são hermafroditas, assim cada indivíduo é apto a colocar ovos. Em ambiente de laboratório podem durar até 2 anos. Mas ninguém sabe ao certo quanto tempo duram externamente, na natureza. Os mais jovens são identicos aos adultos, apenas menores e com tons mais claros. Um caracol pode botar até 300 ovos, em lotes de 10 a 50 cada. Eclodem em aproximadamente 2 semanas. Os ovos são brancos e muito pequenos (cerca de 1 milímetro)

Formas de controle

defensivos químicos – Produtos a base de metaldeídeo, fosfato de ferro e methiocarbono são os indicados no mercado. São produtos tóxicos e mesmo aqueles mais fortes demoram muito tempo para erradicar caracóis. Principalmente o metaldeídeo é muito tóxico para mamíferos (pessoas, animais de estimação e a vida selvagem)
formas naturais – É importante dificultar a vida dos caracóis. Eliminando as condições apreciadas ṕor eles terão dificuldade em sobreviver. Caracóis (e lesmas também) gostam de umidade e locais de abrigo. Devemos remover acúmulo de detritos orgãnicos, manter o jardim limpo, sem ervars daninhas. Os caracóis abandonam até as fontes de alimento se a situação de vida estiver inóspita. A catação manual, se o orquidário não for muito grande, pode ser uma alternativa. Eles adoram alimentos como batata doce ou chuchu. Pode-se cortar pequenos pedaços de chuchu e colocar nos vasos, no fim da tarde. À noite e no amanhecer verifica-se as iscas. Os caracóis são recolhidos e colocados em uma solução salina. É um trabalho de paciência mas eficiente.Uma isca considerada eficiente tanto para caracóis como lesmas são recipientes postos em locais estratégicos com cerveja.
inimigos naturais Não existem predadores típicos mas sabe-se que aves domésticas, alguns pássaros, rãs e até besouros os inclui no cardápio.
a cafeína – Segundo pesquisa do US Pacific Agricultural Center (Havaí) publicado no jornal Nature, foi descoberto que soluções de cafeína são efetivas em exterminar ou repelir lesmas e caramujos quando aplicados às folhagens ou substrato das plantas. Especificamente no Zonitoides arboreus, o batimento cardíaco é afetado gerando morte quando submetidos a soluções de 0,5 ou 2% de cafeína. Também ficou provado que a cafeína a 2% não provoca danos à folhagem de Dracena, Antúrio, palmeiras e orquídeas. Na prática, é eficiente.utilizar uma solução de água com café forte a 15% e pulverizando no vaso.

Subulina octona

Moluscos da família Subulinidae possuem conchas alongadas, fusiformes, marcadas por listras ou não. O Subulina octona tem origem asiática, apesar de algumas informações indicarem sua procedência da Africa e América do Sul tropical. Mas, devido a atividade humana, está amplamente espalhado pelo mundo. Possui uma concha pontuda (cerca de 8 mm) , com 9-10 espirais. A cor é clara, um tanto transparente, mais escura na extremidade. A ponta da concha é obtusa e a base arredondada.
Subulina

São restritas as informações sobre os danos causados por esta espécie. Mas sabe-se que em grande quantidade são prejudiciais a espécies agrícolas, incluindo orquídeas. Usualmente encontrada dentro ou abaixo de vasos de flores, entre restos vegetais em decomposição ou entre vegetação rasteira. Prefere locais úmidos, atacando hortas. Apesar de seu pequeno tamanho são moluscos muito ativos e trepadores. Esta espécie é mais importante do ponto de vista médico e veterinário, uma vez que é um hospedeiro intermediário nos ciclos de vários parasitas de animais domésticos (como gatos, cães e aves), atingindo inclusive o homem.

Pesquisas feitas pelo Departamento de Zoologia, Instituto de Ciências Biológicas, na Universidade Federal de Juiz de Fora, obtiveram várias informações:
– a Subulina octona possui comportamento gregário
– o molusco come o substrato onde se encontra, sendo os de origem orgânica aqueles que propiciam maior desenvolvimento
– existe uma relação entre o comprimento da concha, o peso corporal e o nº de ovos produzidos

Também na mesma Universidade foi desenvolvido pesquisa onde ficou evidenciado que ocorre a redução do nascimento da espécie quando aplicadas pulverizações com extratos de guaco (Mikania glomerata) e picão preto ( Bidens pilosa). Outras pesquisas também mostraram que o timol (5g/l) e a cafeína (5g/l) atuam como ovicidas e também geram mortandade em jovens em até 47%.

Bradybaena similaris

Características

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São originários da Ásia, gostando de locais úmidos e sua alimentação é herbívora. Possui 4 tentáculos na extremidade da cabeça, onde estão localizados os olhos e a boca. Também são de hábitos noturnos. Secretam um muco lubrificante que deixa um rastro por onde passam.

No caso das orquídeas, atacam as plântulas e plantas adultas, destruindo severamente brotos novos, folhas, pseudobulbos, botões florais, flores e raízes. Ou seja, este bicho tem de ficar longe do orquidário.

Controle

– eliminação de ninhos e abrigos
– uso de armadilhas com farelo de trigo e / cerveja
– Iscas comerciais à base de metaldeido. Mas como já mencionado é produto muito tóxico e deve ficar inacessível a animais e crianças
– catação manual, eliminando em água salgada ou jogando sal diretamente sobre o molusco

Asplênio

 

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Nome Científico
Asplenium nidus
Nomes Populares: Asplênio, Ninho-de-passarinho
Família: Aspleniaceae
Clima:  Equatorial, subtropical, tropical
Origem: É nativa da África tropical, da Ásia temperada e tropical e Australásia.
Altura: 20 a 60 cm
Luminosidade: Luz difusa, não tolera exposição direta ao sol, nem sombra excessiva
Ciclo de Vida: Perene
Descrição: Planta herbácea de folhas grandes, verde-claras, largas, coriáceas, brilhantes e com a nervura central escura. Estão inseridas em um pequeno caule curto. As folhas  nascem enroladas a partir da roseta central. Possui crescimento lento. É uma planta epífita que gosta de umidade e temperatura constantes, desenvolvendo-se também no solo das florestas.Tipicamente cresce sobre a matéria orgânica, coletando água e húmus na sua parte central. Suas folhas podem atingir até 1 metro, mas em media têm uns 45 cm de comprimento. Multiplicam-se naturalmente por esporos, localizados na parte inferior das folhas, na forma de linhas de coloração marrom.
Local de cultivo: Em árvores, diretamente no solo (nos locais mais sombreados do jardim) ou em vasos. É ideal para interiores. Sendo de regiões mais tropicais e de umidade elevada, esta planta não tolera bem temperaturas baixas. Em projetos de paisagismo, tanto interna como externamente, é cultivada criando composições com outras espécies. Muito usada em  jardins de inverno ou conjunto de vasos, em estilo tropical, onde o verde salienta-se com exuberância. Os Asplênios ficam lindos em casas de vegetação, associados a orquídeas, bromélias e outras plantas de floresta. A chave para asplênios saudáveis é oferecer-lhes  a umidade e o calor que necessitam. A proximidade de uma janela é um bom local para crescerem saudáveis.
Substrato: Deve ser rico em matéria orgânica, com boa capacidade de retenção de água. Uma mistura de composto orgânico, turfa e areia é um ótimo meio. Pode-se também agregar fibras, cascas de pinus , esterco curtido ou húmus de minhoca. Para não haver umidade excessiva uma drenagem com colocação de pedrinhas ou brita no fundo do vaso é fundamental.
Água: São plantas de floresta. No período de crescimento vegetativo mais intenso é preciso regar com frequência. O substrato precisa conservar-se úmido. Mas é importante irrigar apenas a terra. O centro da roseta não deve ser molhado pois facilmente apodrece. Nos períodos onde a planta está menos ativa pode-se molhar menos. Mas regra geral é bom deixar o substrato úmido.
Temperatura: Todas as espécies de Asplenium crescem bem em temperaturas normais de interiores, preferindo um mínimo de 16° e máximo de 24°. As plantas começam a sofrer com períodos prolongados de temperaturas inferiores a 13º.
Adubação: Fertilizantes líquidos de NPK, suaves, específicos para samambaias, alternados com adubos orgânicos (como húmus de minhoca). Não utilize adubos na parte central da planta. Durante a fase de crescimento ativo pode-se aplicar uma vez por mês.
Propagação: Não são fáceis de propagar e não podem ser divididas como a maioria das samambaias. A planta emite brotos na base que podem ser separados e transplantados para outro vaso. Também multiplica-se por esporos, mas já é mais demorado e trabalhoso para ser feito a nível doméstico.

Esporos

Esporos

Pragas, doenças e outros problemas: Não há problemas sérios neste sentido. Mas pode-se ter cuidado com os sintomas descritos a seguir.
Folhas queimadasquando a planta está em ambiente muito seco, muito frio, excesso de umidade ou insolação direta. No caso de ambiente seco, pode-se usar esfagno no substrato.
Nematódio das folhas – Aparecem manchas marrons perto do centro da folha, na nervura principal, espalhando-se para as bordas. Deve-se remover as folhas infectadas ou tentar matar os nematódios mergulhando a planta em água morna (não mais que 50º C) , permanecendo assim  por 10 minutos.. Lave a planta com sabão com delicadeza. Recoloque no vaso. Não irrigar por aspersão pois a água é a forma de propagação para o nematódio penetrar nos estômatos.
Manchas nas folhas– Manchas marrons ou pretas irregulares, recortadas ou circulares com bordas amareladas são causadas por fungos ou bactérias. A forma de propagação ocorre pelo uso de ferramentas sujas, pela água ou insetos. Remover as folhas atacadas, eliminando-as. A irrigação deve ser feita diretamente no solo. Pode-se usar defensivos específicos, de acordo com  as instruções.
– Podridão das raízes – Pequenas moscas aproximam-se da planta, brotos novos deixam de surgir, o solo não cheira bem e as folhas começam a ficar marrons. São típicos sintomas de excesso de umidade que ocasionam o apodrecimento das raízes. É necessário retirar a planta do vaso, cortar as raízes estragadas (bem como as folhas danificadas), lavá-las bem e colocar em novo vaso com terra nova. Cuidar para que haja boa drenagem.
Cochonilhas – São insetos que danificam uma grande quantidade de espécies de jardim, preferindo a parte inferior das folhas. Possuem uma carapaça marrom e uma vez estabelecidas, sugam a seiva enfraquecendo a planta. As folhas tendem a amarelar. Ainda secretam substâncias açucaradas que atraem formigas e criam ambiente adequado para o aparecimento de fungos causadores de manchas. Cochonilhas são combatidas com aplicação de produtos à base de óleo mineral (óleo de neem é uma possibilidade) mas, em cultivos domésticos, podem ser controlados mecanicamente. Basta estar sempre atento, observando as plantas e ao percebermos a praga, eliminamos manualmente. Um cotonete pode ser usado para esmagá-las ou com uma escova de dente umedecida podemos retirá-las.
Cochonilha farinhenta – É uma espécie de cochonilha, pequena, que produz uma cera branca para se proteger. Parecem pequenos flocos de algodão sobre as folhas, mas com um poder letal de sugá-las até que fiquem amareladas e caiam. Uma vez identificadas, deve-se isolar as plantas das demais, eliminando as partes afetadas. Ou, como na espécie anteriormente citada, eliminá-las mecanicamente. O uso de inseticidas deve ser evitado sempre que possível pois de alguma forma pode trazer prejuízos, inclusive eliminando insetos que são inimigos naturais destas pragas como a joaninha.

Outras considerações:

– Samambaias não gostam de vento, gerando queima nas folhas.
– Folhas feias ou deformadas devem ser periodicamente removidas.
– Quando percebe-se que a planta precisa de mais espaço, deve-se providenciar o transplante para um vaso com tamanho mais adequado.
– Os asplênios gostam de umidade mas evite pulverizar suas folhas pois não apreciam tê-las umedecidas. Suas folhas quando empoeiradas podem ser limpas delicadamente com um pano úmido exceto as novas que estão saindo do centro.
– Mudanças constantes de lugar acabam estressando a planta.
– Evite colocá-la em locais onde pessoas ou animais possam encostar e danificar suas folhas.
– Tendo este cuidados, sempre manterá a sua elegante beleza e será uma das plantas mais fáceis de se cultivar em casa.
– É uma planta adequada e utilizada por Iracema – fontes e orquídeas em suas  fontes de água.

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