Espinheira santa – Maytenus ilicifolia

maytenus-ilicifolia-folhasNome científico: Maytenus ilicifolia
Nomes populares: Espinheira santa, Cancorosa, Espinheira Divina, Cancerosa, Sombra de Touro.
Família: Celastraceae
Clima: Subtropical e temperado
Origem: Brasil, nos estados do sul. Podendo ser encontrada em outros países como Paraguai, Bolívia, Argentina e Uruguai.
Altura da planta: Até 10 m e também na forma arbustiva.
Luminosidade: Tanto em meia sombra como a pleno sol.
Ciclo de vida: Perene
Descrição: Árvore perenifólia de casca lisa, crescimento lento, folhas simples e alternadas, verde escuras e bordas com espinhos. O tamanho médio é de 8 cm de comprimento por 3 cm de largura. As flores são branco amareladas e os frutos são vermelhos com 1 cm de diâmetro. Pode ser confundida com a Maytenus aquifolia mas difere desta por ter ramos em ângulo e tronco com estrias longitudinais. A floração ocorre de agosto a outubro, frutificando de janeiro a março.
Local de cultivo: Naturalmente é planta de floresta não muito densa, próximo a rios e riachos. Encontrada em altitudes de até 1200 m. Pode ser cultivada tanto para fins econômicos (pelas propriedades medicinais) como também paisagísticos. É indicada na composição para o estabelecimento de matas, sendo seus frutos apreciados pela avifauna.
Solos e água: Prefere solos úmidos, ricos em matéria orgânica, argilosos e bem drenados.
Temperatura: Ideal entre 20º e 30º C
Adubação: Tanto adubos orgânicos como minerais.
Propagação: Sementes (coletadas quando os frutos estão abertos) e por estacas de raiz. As sementes possuem baixa taxa de germinação. As mudas novas desenvolvem-se melhor em temperaturas mais elevadas (de 20° C a 30°C). A semeadura deve ser realizada na primavera e o transplante no verão (final de fevereiro). Para fins comerciais a densidade por ha é de 4000 plantas, proporcionando rendimentos aproximados de 0,7 ton de folhas secas/ha/ano.
Pragas, doenças e outros problemas: Cochonilhas, formigas cortadeiras e pulgões são as principais ocorrências a nível de pragas. Quanto a moléstias, a literatura cita o aparecimento de ferrugens ocasionais, sem danos expressivos.
Propriedades medicinais: Várias pesquisas em universidades tem sido feitas sobre esta planta, com constatações científicas comprovadas. Possui terpenos, flavonoides, mucilagens, açúcares, ferro, enxofre, sódio, cálcio. Usado no tratamento de úlceras gástricas, gastrite, problemas estomacais e azia. Tem ação cicatrizante para a pele e considerado anti-inflamatório e antisséptico. Pesquisas na UFPR, ainda não completamente comprovadas, sugerem que a espinheira santa possui substâncias que podem dilatar os vasos sanguíneos, diminuindo a pressão arterial. Além disto, a empresa Klabin diz que o óleo contendo extrato de espinheira santa, aplicado em massagens, ajuda para dissolver os nódulos da celulite. Não há efeitos colaterais graves, mas pode haver contrações em grávidas, diminuição do leite em lactantes, secura na boca e enjoo. Pode ser abortivo e anticoncepcional.
Outras considerações:
– A presença de espinhos na borda das folhas aliado aos benefícios medicinais, inspirou o nome popular da planta.
– O outro nome (cancerosa ou cancorosa) veio por inspiração das culturas indígenas que a utilizavam no tratamento de tumores.
– É um a das ervas medicinais mais produzidas no Brasil.
– Há informações que as folhas moídas eram ou são usadas para adulterar a erva mate. Mas há uma explicação para tal fato. Antigamente usava-se uma mistura de 10% de espinheira santa na erva mate, pois isto aplacava uma acidez estomacal gerada em algumas pessoas com o consumo do chimarrão. Principalmente no Uruguai. Porém isto foi mais tarde considerado adulteração.
– No estado verde, os ramos são muito elásticos, o que credencia a planta para atividades artesanais.
– Planta com valor apícola.
Referências:
– Agrotecnologia para o cultivo da Espinheira Santa – Pedro Melillo de Magalhães
– Projeto FBS (Flora São Bento do Sul) – Paulo Schwirkowski
– Árvores do Sul – Paulo Backes e Bruno Irgang
– Espinheira santa – André May e Andrea Rocha Almeida de Moraes
– Ocorrência de cochonilhas em Espinheira Santa – Revista brasileira de plantas medicinais vol. 15 n° 2 / 2013
– Um santo remédio? Revista Ciência hoje – Guilherme de Souza
– Só uma santa para derrotar a celulite – Liana John
– La congorosa (Maytenus ilicifolia): Un pequeño gran arbusto indígena – Ricardo Carrere