Biribá – Annona mucosa

Nome científico: Annona mucosa. O nome não é universalmente aceito. Também conhecido como Rollinia mucosa.
Nomes populares: Biribá, Araticum, Fruta do conde, Fruta da Condessa
Família: Anonaceae
Clima: Tropical e subtropical.
Origem: Amazônia, Brasil
Altura da planta: 8-18 m, sendo que em habitat natural pode atingir mais de 20 m.
Luminosidade: Sol pleno
Ciclo de vida: Perene
Descrição: Árvore de crescimento rápido, folhas de 10 a 25 cm de comprimento e 5 a 8 de largura, simples e alternadas, verde amareladas, copa cônica. As flores são solitárias ou em grupos de 2 ou 3, hermafroditas, formadas de julho a setembro. Os frutos são do tipo sincarpo (ou seja, que tem muitos utrículos – o mesmo que células), polpa suculenta, doce e pouco fibrosa, com muitas sementes, amadurecendo de novembro a maio. O tamanho dos frutos são muito variáveis, com casca amarela possuindo numerosas saliências. Pode chegar a mais de 1 kg.
Local de cultivo: Pode ser cultivada em várias áreas do país, tolerando situações mais drásticas, como secas não tão severas e temperaturas baixas. Árvore que já não é fácil de encontrar em estado natural. E são poucos os empreendimentos comerciais. Na região amazônica, utiliza-se espaçamentos de 5-7 m entre covas. Uma das razões para a baixa produção comercial é que os frutos são muito perecíveis depois de maduros.
Solos e água: Adaptam-se a qualquer tipo de solo desde que bem drenados. O pH situa-se entre 5,5 e 6,8. Prefere solos ricos em matéria orgânica.
Temperatura: Ideal entre 25ºC e 35º C.
Adubação: Aplicações de 3-4 vezes ao ano de adubos orgânicos (estercos, compostos, etc) mais 100 g da fórmula 10-10-10 (ao redor da árvore, na projeção da copa).
Propagação: A forma mais rápida e comum é por sementes. Podem manter o poder germinativo por até 3 anos. Mas também pode ser multiplicado por estacas (mais demorada, exigindo mão de obra mais qualificada). Recomenda-se utilizar as sementes maiores pois geram plantas mais vigorosas. No caso de multiplicação assexuada, qualquer Annona pode ser usada como porta enxerto. A melhor enxertia é por borbulha. No habitat natural a propagação ocorre através de morcegos, aves, mamíferos e tartarugas. Existem poucos cultivares. Pode-se citar o “Prolific” na Flórida, o “Regard” nas Filipinas e o “Liso” no Brasil.

Pragas:
Broca do tronco e dos ramosCratosomus bombina – Esta broca penetra no tronco e na casca, fazendo galerias que prejudicam o crescimento da árvore. É recomendado a poda dos ramos afetados para minimizar os prejuízos.
Broca do frutoCerconota anonella – É uma mariposa de cor branco cinzento cujas larvas penetram nos frutos danificando a parte comestível. Recomenda-se catação e queima dos frutos atacados ou enterrar (mínimo 50 cm). Nos frutos de até 2 cm pode-se fazer o ensacamento. Armadilhas luminosas também são indicadas no controle.
CochonilhaPseudococus brevipes e Aspidiotus destructor – São hemípteros, sugadores que causam destruição de folhas e ramos. Controle químico.
Lagartas das folhasSibine sp – Danificam as folhas. Também são nocivas ao ser humano pois possuem pelos urticantes que geram dermatites dolorosas. Conhecida como lagarta tanque.
Lagarta Cocytius antaeus – São da família Sphingidae e destroem grande quantidade de folhas. Mas possuem inúmeros inimigos naturais como o Telenomus sp (ovos), Cotesia sp (lagartas) e várias espécies de Tachinidae (nas pupas).
Mosca brancaAleurodicus cocois – É um homoptero que tem a forma adulta muito semelhante a uma pequena borboleta de coloração branca. Mede 2 mm de comprimento e 4 mm de envergadura. As pupas ficam envoltas por cerosidade branca podendo cobrir toda a folha. É comum estar associado a fumagina na parte superior da folha. Controle por inseticidas e por inimigos naturais (Scymnus, Clitostethus, Cocophagus aleurodici e dipteros do genêro Bacha).
Mosca das frutasAnastrepha fratercula e Ceratitis capitata – Danificam os frutos. O controle pode utilizar métodos químicos, mecânicos e armadilhas. Deve-se queimar e enterrar os frutos atacados.
SerradorOncideres saga – Besouros que cortam os galhos da planta. Deve-se queimar os ramos caídos pois contem as larvas destes insetos. Também pode-se limpar as galerias com arames e injetar veneno.
Trips Heliothrips haemorrhoidalis – São pequenos insetos de 1 a 1,5 mm de comprimentos. Os adultos voam quando molestados. Perfuram as folhas novas (geralmente na ponta), sugam a seiva e provocam o seu enrolamento (aí depositam os ovos). Outro sintoma é o surgimento de manchas marrons similares à ferrugem. Indica-se controle com inseticidas carbamatos sistêmicos.
VaquinhaMacrodactylus pumilio – Besouro (Scarabaeidae) que ataca folhas, flores e frutos.
Doenças:
AntracnoseColletotrichum gloeosporioides – Atinge ramos, folhas, flores e frutos. Nas folhas surgem manchas de cor pardo-escura ou preta, com o centro mais claro, de contorno irregular. Já nos ramos, aparecem áreas deprimidas, provocando a morte das pontas. As flores apresentam manchas circulares marrom escuras que culminam em queda. Finalmente nos frutos, há o escurecimento e queda. Deve-se podar e queimar as partes atacadas e utilizar regularmente fungicidas à base de cobre (0,3%). Existem cultivares resistentes à doença.
CancroAlbonectria rigidiuscula – A entrada deste fungo se dá por aberturas naturais ou por ferimentos causados por pragas ou lesões mecânicas. Após instalado, os tecidos morrem e, numa reação da planta, há o levantamento da casca e rachaduras. Deve-se , preventivamente, manter a planta bem nutrida e sem stress hídrico. As lesões devem ser pinceladas com produtos cúpricos (como a calda bordalesa)
Mancha parda das folhasCercospora anonae – Atacam as folhas apenas. Ocorrem manchas arredondadas com o centro necrosado, com posterior queda destas. Tratamento similar à antracnose.
Propriedades medicinais: A fruta é tida como revigorante e antiescorbútica. As sementes em pó são ditas serem um remédio para enterocolite.
Valores nutricionais a cada 100gCalorias  80 / Umidade 77.2 g / Proteinas 2.8 g / Lipídios 0.2 g / Glicerídeos 19.1 g  / Fibras 1.3 g  / Cinzas  0.7 g / Cálcio 24 mg / Fósforo 26 mg / Ferro 1.2 mg / Vitamina B1 0.04 mg / Vitamina B2  0.04 mg / Niacina 0.5 mg  / Vitamina C 33.0 mg / Aminoácidos (mg por g de Nitrogênio – N = 6.25) / Lisina 316 mg / Metionina 178 mg / Treonina 219 mg / Triptofano 57 mg
Outras considerações:
– Em tupi, biribá significa fruto da árvore de casca fibrosa.
– Ótimo para utilizar em recomposição da mata, sendo muito apreciado por pássaros, macacos, antas, etc.
– A polpa é utilizada na fabricação de sorvetes, sucos, biscoitos e bolos.
– Suas sementes, por serem muito duras, são usadas como contas em braceletes e colares.
– As sementes também são inseticidas.
– A madeira é amarela, dura, pesada e forte. Usada na fabricação de botes, mastros caixas, tábuas e berimbáus.
Referências:
– Colecionadores de frutas – colecionandofrutas.org

Annona mucosa – Useful Tropical Plants
– Frutas brasileiras e exóticas cultivadas – Harri Lorenzi, Luiz bacher, larco Lacerda, Sérgio Sartori
– Useful Tropical Plants – Annona mucosa
– Potential phytoinsectidide of Annona mucosa in the control of brown stink bug – Leonardo Morais Turchen, Leilane Marisa Hunhoff , Marcela Vieira, Camila Patrícia Ribeiro Souza, Mônica Josene Barbosa Pereira
– Fruticultura tropical: O Biribazeiro – Rollinia mucosa – José Paulo Chaves da Costa    /  Carlos Hans MüIler Belém, PA 1995 Embrapa
– Biriba, Wild Sweetsop – Rollinia mucosa, Annona mucosa – Growables, Grow Florida edibles
– Morton, J. 1987. Biriba. p. 88–90. In: Fruits of warm climates. Julia F. Morton, Miami, FL.
– Controle de Cerconota anonella em frutos de graviola – Rev. Bras. Frutic. vol.23 no.3 Jaboticabal Dec. 2001
– Insects associated to Soursop (Annona muricata L., Annonaceae) in the Manaus Region, Amazonas, Brazil. – Neusa Hamada, Ana Lúcia Silva Gomes, Guy Couturier, Beatriz Telles
Aleurodicus cocois – Juliana Aparecida Dias
– O cultivo da pinha, Fruta do conde ou ata no Brasil – Maria Cristina Rocha Cordeiro Alberto Carlos de Queiroz Pinto Víctor Hugo Vargas Ramos
– Tripes da ferrugem – Daniel Souza – Portal do Fórum Plantas Carnívoras
– Major diseases of annonaceae in Brazil: Description and control – Nilton Tadeu Vilela Junqueira e keize Pereira Junqueira
– Foto: Reprodução autorizada desde que citado o autor e a fonte – Quem é quem na família das anonáceas / infobibos.com / José Antônio Alberto da Silva

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