Cattleya intermedia

C.interm.tipo3
Nome científico
: Cattleya intermedia
Nomes populares
: Intermédia

Família: Orchidaceae
Clima: Subtropical
Origem: O seu habitat natural é o sul do Brasil margeando a Mata Atlântica. Estende-se até o Rio de Janeiro e ao sul é encontrada em alguns pontos do litoral do Uruguai e Argentina.
Altura: de 15 a 40 cm, dependendo da região.
Luminosidade: 50% de sombreamento. Mas desenvolve-se também com uma luminosidade maior, chegando mesmo a ser encontrada sob pedras com incidência direta do Sol.
Ciclo de Vida: Perene
Descrição: Epífita ou rupícola, bifoliada, folhas oblongas, espata com inflorescência  de 6-10 cm com 1 – 5 flores, com grande variedade de cores. As flores possuem em média 12 cm de diâmetro, algumas perfumadas, abrindo na primavera e verão. Entre os polinizadores naturais estão as mamangavas. Nas regiões litorâneas, junto a vegetações mais rasteiras, recebendo umidade e calor constantes, atinge um porte maior (até 50cm), com folhas também maiores e um elevado número de flores por pendão (até 10 flores). Mas afastando-se do litoral reduz o porte e a quantidade de flores. Às vezes produz híbridos naturais de grande beleza.
Local de cultivo: A planta é de fácil cultivo podendo ser usada em vasos de plástico ou cerâmica, amarradas em pequenos troncos ou diretamente presa nas árvores. Por ser extremamente adaptável pode ser colocada tanto em telados como em casas de vegetação, desde que haja boa circulação de ar e luminosidade. Os ambientes nativos onde encontramos a Intermédia são de alta umidade.
C.interm.tipo1 Substrato:  Este item, ao qual já fiz uma postagem, sempre gera alguma controvérsia e cada um deve achar o que é melhor para o seu espaço. Mas, em geral, estas Cattleyas gostam de substratos que permitam que suas raízes fiquem bem arejadas. Cascas de pinus, carvão e brita são uma possibilidade. Pessoalmente só uso a brita e, no caso desta espécie, mais do que se justifica pois ela também é rupícola.
Água: Irrigar sempre que o substrato estiver seco. Particularmente, por usar brita, molho 2 vezes por semana ou mais em períodos quentes. Esta planta possui pseudobulbos finos que propicia pouco armazenamento de água, o que justifica a preferência por umidade ambiental elevada. Muitos recomendam molhar o chão do orquidário para elevar a umidade do ar.
Temperatura: Aceita um gradiente grande de temperaturas e até situações extremas (desde que por curtos períodos). O ideal seria entre 21 e 32º C.
Adubação: Quinzenalmente com NPK e a cada 3 meses com organo-mineral. Ver postagem Adubação em orquídeas.
Propagação: Se o vaso ficou pequeno pode-se fazer divisão após a floração, quando começam a surgir novas raízes. Cada nova muda deve ter 3-4 pseudobulbos. Mas comercialmente a forma de propagação é por sementes, clonagem ou mericlonagem.
Pragas, doenças e outros problemas: Temas que serão desenvolvidos separadamente. Já postado: Doenças fúngicas em orquídeas e Caracóis em orquídeas.
Sistemas de classificação: Já faz muitas décadas que vem-se fazendo melhoramentos na Cattleya intermedia. Para poder classificar tanta diversidade de cores e formas, os orquidófilos criaram sistemas para facilitar tal trabalho. Existem algumas diferenças de um lugar para outro, o que gera alguma confusão. A seguir estão considerações sobre as variedades indicadas nestas classificações, levando em conta a forma da flor, a forma do colorido da flor elo colorido da flor. O orquidófilo Carlos Gomes de Florianópolis SC tem contribuição importante nestes trabalhos.

1) Forma da flor: Este assunto sobre a forma da flor na Cattleya intermedia é muito discutido, muitas vezes motivo de polêmicas. Mas também apaixonante. Recomendo ler as opiniões do Sr Carlos Gomes sobre o assunto em seu site (www.orquidariocarlosgomes.com.br). Ele sugere que existe uma evolução na natureza da forma pelórica (trilabelo) para a forma tipo com pétalas mais largas, onde percebe-se a diminuição da dominância do labelo. Neste processo aparecem as formas aquinii, flamea e bergeriana.

Pelórica

Pelórica

C.interm.aquinii

Aquinii

Pelórica : Peloria é uma anormalidade vegetal onde há uma alteração de forma. Exemplificando, no caso da intermedia, quando ocorre um estrangulamento na extremidade das pétalas (estas imitam a forma do labelo – trilabelo) temos uma forma pelórica. Também são pelóricas as tripétalas.
Aquinii : Pétalas largas mostrando no terço final de suas extremidades um estrangulamento com duas máculas (manchas). As aquiniis são flores actinomorfas (simetria radial).
Flâmea
: Ocorre, na extremidade superior, uma intensificação flameada da cor (qualquer que seja). O estrangulamento das pétalas também está presente.
Bergeriana: O nome é uma homenagem a Alceu Berger, que levantou pela 1ª vez a teoria da evolução das flores “pelóricas” até as flores de pétalas largas. Assim, as bergerianas são aquelas flores de pétalas alargadas com estrangulamento reduzido, com ou sem manchas coloridas. Este formato é o objetivo de todos aqueles que trabalham com hibridações.

Flamea

Flamea

2) Colorido da flor :

Tipo : As pétalas e sépalas são rosadas ou lilás claro e o lóbulo frontal do labelo tem coloração purpúrea. É a mais comum das variedades.
Bordô : O lobo frontal do labelo é bordô e as pétalas e sépalas são brancas ou rosadas.
Cerúlea : O lobo frontal do labelo tem cor azulada ou lilás azulado. Já as pétalas e sépalas são brancas a lilás azulado.

Tipo

Tipo

Fresina : O lobo frontal do labelo é de cor de vinho rosé (fresi) enquanto as pétalas e sépalas são brancas ou com colorido suave.
Lilasina : O lobo central do labelo é lilás claro e as pétalas e sépalas brancas.
Roxo-bispo : Pétalas e sépalas brancas ou suavemente coloridas, a cor do lóbulo central do labelo é roxo bispo (referente aos trajes usados pelos bispos).

Coerulea

Coerulea

Alba

Alba

Semi-alba : Pétalas e sépalas brancas, lóbulo central purpúreo.
Vinicolor : O lóbulo central do labelo tem cor de vinho tinto, com as pétalas e sépalas brancas ou com cores suaves.
Alba : A flor inteira é branco puro, exceto na fauce que pode apresentar um suave tom amarelo.
Concolor : Toda a flor com cor uniforme rósea. Apenas a fauce pode ser de cor mais clara.

Concolor

Concolor

Rubra : Pétalas, sépalas e tubo com colorido rubro. O lobo frontal do labelo tem cor purpúrea, sendo que a fauce pode ser mais clara.
Sangüínea : Toda a flor com cor vermelha sanguínea, sendo o lobo frontal purpúreo escuro. Bastante rara.
Ametistina : Pétalas e sépalas brancas com o lobo frontal com cor de ametista.
Atropurpúrea : As pétalas e sépalas são rosa claro ou mais escura com o labelo todo purpúreo.
Roxo violeta : Pétalas e sépalas brancas, lobo central violeta azulado bem acentuado.
Suave : Pétalas e sépalas brancas com lóbulo frontal do labelo levemente róseo.

Vinicolor

Vinicolor

Suave

Suave

3) Forma do colorido da flor :

Albescens : Possuem pétalas, sépalas e labelo brancos com poucos pontos em uma outra cor. O que a difere da alba são estes pontos.
Puntata : As pétalas e sépalas possuem pontos (pintada).
Maculata : Apresentam máculas pelas pétalas e sépalas. Geralmente róseas.

Puntata

Puntata

Orlata : Possuem acentuado colorido a partir do labelo para os lobos laterais. Apresenta labelo maior em relação a outras intermédias e as margens coloridas dos lobos laterais são bem largas.
Marginata : O colorido do lobo central do labelo estende-se pelas margens dos lobos laterais e margens do tubo. As margens ficam voltadas para fora. Também tem labelo grande.
Multiforme : Possuem desenhos variados no lobo central do labelo que não são pertencentes a nenhuma outra categoria.

Orlata

Orlata

Oculata : No lobo frontal do labelo aparecem duas manchas simétricas semelhantes a olhos.
Pseudo-tipo : O lobo frontal do labelo tem duas nuances de cor, separadas por uma linha horizontal.
Striata : As pétalas e/ ou sépalas possuem estrias.
Venosa : Possuem como que “veias” nos segmentos florais. Muito rara.

Oculata

Oculata

Marginata

Marginata

Outras considerações:
– O nome intermédia refere-se ao tamanho intermediário de sua flor entre as Cattleyas.
– Por ser alvo indiscriminado de colecionadores e saqueadores comerciais, tornou-se muito rara em estado natural. Lamentável!

Referências:
– Cattleya intermedia Graham ex Hook –American Orchid Society
– Cattleya intermediaclassificação (2005) – Carlos Gomes – Florianópolis
– Orchid Profile – Cattleya intermedia
Susan Taylor em Orchids on Bellaonline
– Cattleya intermedia – Revista 
Como Cultivar Orquídeas – nº 52
– Cattleya Intermédia e suas variedades – Federação Catarinense de Orquidofilia

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