Maxillaria porphyrostele

Maxilaria porphyrostele3

Nome científico: Maxillaria porphyrostele Sinônimo: Brasiliorchis porphyrostele
Nomes popularesMaxilaria , purple column maxillaria (EUA)
Família: Orchidaceae
Clima: Tropical e sub-tropical, em zona de altitude média.
Origem: Brasil, principalmente em matas do sul e sudeste.
Altura da planta: 30 cm
Luminosidade: Prefere um sombreamento entre 50% e 70 %.
Ciclo de Vida: Perene
Descrição: Epífita vigorosa com pseudobulbos ovalados e folhas verde escuras lanceoladas com 20-30 cm. As flores surgem no fim do inverno, início da primavera, são amareladas com 3-4 cm de diâmetro, a coluna da flor é púrpura, de longa duração, sem perfume.
Local de cultivo: Em vasos de barro / plástico ou diretamente nas árvores ou pedaços de troncos.
Substrato: Cascas, carvão, fibras e brita. Ver postagem Substratos em orquídeas.
Água: Gosta de umidade e requer menos água no inverno.
Temperatura: Frias a amenas. Sensível a geadas.
Adubação: Ver postagem Adubação em orquídeas.
Propagação: Por divisão quanto não houver mais espaço no vaso.
Pragas, doenças e outros problemas: Temas que serão desenvolvidos separadamente. Já postado: Doenças fúngicas em orquídeas e Caracóis em orquídeas.
Outras considerações:
– Por vezes é confundida com a Maxilaria picta.
– O nome “porphyrostele” significa coluna púrpura.
Referências:
– Maxillarias – Brian Milligan – Orchid Societies Council of Victoria – Australia
Maxillaria porphyrostele – Backyard gardener
Maxillaria porphyrostele – Ken Blackburn
– Orquídeas Maxillaria – Revista Como cultivar orquídeas nº 54
– Núcleo de Orquidófilos de D. Martins e M. Floriano
Maxilaria porphyrostele2

Cattleya intermedia

C.interm.tipo3
Nome científico
: Cattleya intermedia
Nomes populares
: Intermédia

Família: Orchidaceae
Clima: Subtropical
Origem: O seu habitat natural é o sul do Brasil margeando a Mata Atlântica. Estende-se até o Rio de Janeiro e ao sul é encontrada em alguns pontos do litoral do Uruguai e Argentina.
Altura: de 15 a 40 cm, dependendo da região.
Luminosidade: 50% de sombreamento. Mas desenvolve-se também com uma luminosidade maior, chegando mesmo a ser encontrada sob pedras com incidência direta do Sol.
Ciclo de Vida: Perene
Descrição: Epífita ou rupícola, bifoliada, folhas oblongas, espata com inflorescência  de 6-10 cm com 1 – 5 flores, com grande variedade de cores. As flores possuem em média 12 cm de diâmetro, algumas perfumadas, abrindo na primavera e verão. Entre os polinizadores naturais estão as mamangavas. Nas regiões litorâneas, junto a vegetações mais rasteiras, recebendo umidade e calor constantes, atinge um porte maior (até 50cm), com folhas também maiores e um elevado número de flores por pendão (até 10 flores). Mas afastando-se do litoral reduz o porte e a quantidade de flores. Às vezes produz híbridos naturais de grande beleza.
Local de cultivo: A planta é de fácil cultivo podendo ser usada em vasos de plástico ou cerâmica, amarradas em pequenos troncos ou diretamente presa nas árvores. Por ser extremamente adaptável pode ser colocada tanto em telados como em casas de vegetação, desde que haja boa circulação de ar e luminosidade. Os ambientes nativos onde encontramos a Intermédia são de alta umidade.
C.interm.tipo1 Substrato:  Este item, ao qual já fiz uma postagem, sempre gera alguma controvérsia e cada um deve achar o que é melhor para o seu espaço. Mas, em geral, estas Cattleyas gostam de substratos que permitam que suas raízes fiquem bem arejadas. Cascas de pinus, carvão e brita são uma possibilidade. Pessoalmente só uso a brita e, no caso desta espécie, mais do que se justifica pois ela também é rupícola.
Água: Irrigar sempre que o substrato estiver seco. Particularmente, por usar brita, molho 2 vezes por semana ou mais em períodos quentes. Esta planta possui pseudobulbos finos que propicia pouco armazenamento de água, o que justifica a preferência por umidade ambiental elevada. Muitos recomendam molhar o chão do orquidário para elevar a umidade do ar.
Temperatura: Aceita um gradiente grande de temperaturas e até situações extremas (desde que por curtos períodos). O ideal seria entre 21 e 32º C.
Adubação: Quinzenalmente com NPK e a cada 3 meses com organo-mineral. Ver postagem Adubação em orquídeas.
Propagação: Se o vaso ficou pequeno pode-se fazer divisão após a floração, quando começam a surgir novas raízes. Cada nova muda deve ter 3-4 pseudobulbos. Mas comercialmente a forma de propagação é por sementes, clonagem ou mericlonagem.
Pragas, doenças e outros problemas: Temas que serão desenvolvidos separadamente. Já postado: Doenças fúngicas em orquídeas e Caracóis em orquídeas.
Sistemas de classificação: Já faz muitas décadas que vem-se fazendo melhoramentos na Cattleya intermedia. Para poder classificar tanta diversidade de cores e formas, os orquidófilos criaram sistemas para facilitar tal trabalho. Existem algumas diferenças de um lugar para outro, o que gera alguma confusão. A seguir estão considerações sobre as variedades indicadas nestas classificações, levando em conta a forma da flor, a forma do colorido da flor elo colorido da flor. O orquidófilo Carlos Gomes de Florianópolis SC tem contribuição importante nestes trabalhos.

1) Forma da flor: Este assunto sobre a forma da flor na Cattleya intermedia é muito discutido, muitas vezes motivo de polêmicas. Mas também apaixonante. Recomendo ler as opiniões do Sr Carlos Gomes sobre o assunto em seu site (www.orquidariocarlosgomes.com.br). Ele sugere que existe uma evolução na natureza da forma pelórica (trilabelo) para a forma tipo com pétalas mais largas, onde percebe-se a diminuição da dominância do labelo. Neste processo aparecem as formas aquinii, flamea e bergeriana.

Pelórica

Pelórica

C.interm.aquinii

Aquinii

Pelórica : Peloria é uma anormalidade vegetal onde há uma alteração de forma. Exemplificando, no caso da intermedia, quando ocorre um estrangulamento na extremidade das pétalas (estas imitam a forma do labelo – trilabelo) temos uma forma pelórica. Também são pelóricas as tripétalas.
Aquinii : Pétalas largas mostrando no terço final de suas extremidades um estrangulamento com duas máculas (manchas). As aquiniis são flores actinomorfas (simetria radial).
Flâmea
: Ocorre, na extremidade superior, uma intensificação flameada da cor (qualquer que seja). O estrangulamento das pétalas também está presente.
Bergeriana: O nome é uma homenagem a Alceu Berger, que levantou pela 1ª vez a teoria da evolução das flores “pelóricas” até as flores de pétalas largas. Assim, as bergerianas são aquelas flores de pétalas alargadas com estrangulamento reduzido, com ou sem manchas coloridas. Este formato é o objetivo de todos aqueles que trabalham com hibridações.

Flamea

Flamea

2) Colorido da flor :

Tipo : As pétalas e sépalas são rosadas ou lilás claro e o lóbulo frontal do labelo tem coloração purpúrea. É a mais comum das variedades.
Bordô : O lobo frontal do labelo é bordô e as pétalas e sépalas são brancas ou rosadas.
Cerúlea : O lobo frontal do labelo tem cor azulada ou lilás azulado. Já as pétalas e sépalas são brancas a lilás azulado.

Tipo

Tipo

Fresina : O lobo frontal do labelo é de cor de vinho rosé (fresi) enquanto as pétalas e sépalas são brancas ou com colorido suave.
Lilasina : O lobo central do labelo é lilás claro e as pétalas e sépalas brancas.
Roxo-bispo : Pétalas e sépalas brancas ou suavemente coloridas, a cor do lóbulo central do labelo é roxo bispo (referente aos trajes usados pelos bispos).

Coerulea

Coerulea

Alba

Alba

Semi-alba : Pétalas e sépalas brancas, lóbulo central purpúreo.
Vinicolor : O lóbulo central do labelo tem cor de vinho tinto, com as pétalas e sépalas brancas ou com cores suaves.
Alba : A flor inteira é branco puro, exceto na fauce que pode apresentar um suave tom amarelo.
Concolor : Toda a flor com cor uniforme rósea. Apenas a fauce pode ser de cor mais clara.

Concolor

Concolor

Rubra : Pétalas, sépalas e tubo com colorido rubro. O lobo frontal do labelo tem cor purpúrea, sendo que a fauce pode ser mais clara.
Sangüínea : Toda a flor com cor vermelha sanguínea, sendo o lobo frontal purpúreo escuro. Bastante rara.
Ametistina : Pétalas e sépalas brancas com o lobo frontal com cor de ametista.
Atropurpúrea : As pétalas e sépalas são rosa claro ou mais escura com o labelo todo purpúreo.
Roxo violeta : Pétalas e sépalas brancas, lobo central violeta azulado bem acentuado.
Suave : Pétalas e sépalas brancas com lóbulo frontal do labelo levemente róseo.

Vinicolor

Vinicolor

Suave

Suave

3) Forma do colorido da flor :

Albescens : Possuem pétalas, sépalas e labelo brancos com poucos pontos em uma outra cor. O que a difere da alba são estes pontos.
Puntata : As pétalas e sépalas possuem pontos (pintada).
Maculata : Apresentam máculas pelas pétalas e sépalas. Geralmente róseas.

Puntata

Puntata

Orlata : Possuem acentuado colorido a partir do labelo para os lobos laterais. Apresenta labelo maior em relação a outras intermédias e as margens coloridas dos lobos laterais são bem largas.
Marginata : O colorido do lobo central do labelo estende-se pelas margens dos lobos laterais e margens do tubo. As margens ficam voltadas para fora. Também tem labelo grande.
Multiforme : Possuem desenhos variados no lobo central do labelo que não são pertencentes a nenhuma outra categoria.

Orlata

Orlata

Oculata : No lobo frontal do labelo aparecem duas manchas simétricas semelhantes a olhos.
Pseudo-tipo : O lobo frontal do labelo tem duas nuances de cor, separadas por uma linha horizontal.
Striata : As pétalas e/ ou sépalas possuem estrias.
Venosa : Possuem como que “veias” nos segmentos florais. Muito rara.

Oculata

Oculata

Marginata

Marginata

Outras considerações:
– O nome intermédia refere-se ao tamanho intermediário de sua flor entre as Cattleyas.
– Por ser alvo indiscriminado de colecionadores e saqueadores comerciais, tornou-se muito rara em estado natural. Lamentável!

Referências:
– Cattleya intermedia Graham ex Hook –American Orchid Society
– Cattleya intermediaclassificação (2005) – Carlos Gomes – Florianópolis
– Orchid Profile – Cattleya intermedia
Susan Taylor em Orchids on Bellaonline
– Cattleya intermedia – Revista 
Como Cultivar Orquídeas – nº 52
– Cattleya Intermédia e suas variedades – Federação Catarinense de Orquidofilia

Bulbophyllum saltatorium

B.saltatorium3
Nome científico
: Bulbophyllum saltatorium var. albociliatum, embora seja conhecida em muitos lugares por seus sinônimos – Bulbophyllum miniatum, Cirrhopetalum miniatum ou Bulbophyllum alinae.
Nomes populares: Não consta nenhum nome para o Brasil. Em alguns países da África é conhecido como Dancing Bulbophyllum (bulbofilum dançante)
Família: Orchidaceae
Clima: Tropical
Origem: Parte central do continente africano principalmente na Serra Leoa, Libéria, Costa do Marfim, Gana, Nigéria, Camarões, Guiné, Gabão, Congo, Uganda, Quênia, e Angola.
Altura: Folhas de 3-7 cm com haste floral atingindo até 27 cm.
Luminosidade: De 50% a 70% de sombreamento
Ciclo de Vida: Perene
Descrição: Epífita de pequeno porte, de hastes longas e flores pequenas (até 1,3 cm) com sépalas e pétalas púrpuras sendo que o labelo possui franjeado rosado. As folhas são verde escuras com pseudobulbos verde claros. A inflorescência possui várias flores que vão se abrindo em sequência, com duração por volta de 15 dias. Floresce no final do inverno, início da primavera no Brasil.
Local de cultivo: Em vasos pequenos, troncos ou diretamente nas árvores desde que em meia sombra. Em habitat natural vivem em florestas de altitudes até 600m ou um pouco mais.
Substrato: Pedriscos misturados com cascas e fibras. Importante é ter boa drenagem.
Água: Gosta de boa umidade ambiental. Se estiver sob cobertura molhar 1-2 vezes por semana. No inverno reduzir a irrigação.
Temperatura: Entre 16º C e 29º C
Adubação: Organo-mineral a cada 3 meses e química a cada 15 dias
Propagação: Divisão da planta quando o vaso ficar pequeno.
Pragas, doenças e outros problemas: Não há citação na literatura. Pessoalmente nunca tive problemas.
Outras considerações: A beleza desta planta, além da suavidade da cor, é que ao toque da menor brisa o labelo rosado balança como que dançando.
Referências:
– Bulbophyllum saltatorium var. Albociliatum – Grupo Orquideófilo del Norte Santafesino
Bulbophyllum alinae – The plant list
– Bulbophyllum – Orchids of Central Africa
– Bulbophyllum saltatorium – African orchids
B.saltatorium4

Doenças fúngicas em orquídeas

Phalenopsis Suely

Plantas saudáveis – tudo o que queremos!

Os fungos são um dos grandes problemas no cultivo de orquídeas. Em geral, muitas condições indicadas para as orquídeas (como umidade ambiental) também são favoráveis para os fungos. Assim, de forma preventiva, devemos adotar um manejo correto para evitar esta adversidade.

Algumas recomendações importantes :

– Substratos limpos
– Ferramentas desinfetadas antes de usá-las. Caso for mexer em uma outra planta, desinfectar novamente. Existem substâncias químicas para isto, ou mesmo o álcool. Mas o melhor meio é o fogo.
– Evitar  que os vasos fiquem muito próximos pois muitos fungos tem seus esporos disseminados pelos respingos da irrigação ou a água da chuva.Distância correta entre vasos – A ventilação é um item vital pois evita que o ambiente fique úmido por muito tempo, o que facilita a disseminação de esporos.
– O piso do orquidário deve ser de brita ou material de rápida drenagem para evitar o acúmulo por muito tempo de umidade.Piso de brita – Retirar as partes doentes das plantas, aplicando algum protetor (como canela ou pasta fúngica) nos locais onde houve a lesão.
– Fazer estudo e utilizar os fungicidas mais eficientes. Muitas vezes o rodízio de fungicidas (principalmente no caso de orquidários maiores) evita o surgimento de fungos resistentes.
– Todos os fatores ambientais (como luminosidade, temperatura, irrigação, adubação, entre outros) devem ser fornecidos criteriosamente para que a planta tenha as melhores condições de saúde, tornando-se mais resistentes.Orquidário em condições básicas
– A limpeza do orquidário deve ser exemplar, sem entulhos ou qualquer acúmulo desnecessário. Nas visitas diárias recolher todo material que é retirado (como folhas velhas, flores murchas, substratos, etc) para posterior descarte. Jamais jogue no chão.

Os fungicidas

Mas mesmo tomando todas as medidas preventivas ainda podem surgir doenças fúngicas (ou outras). Neste caso precisamos utilizar os fungicidas, de origem química ou orgânica, para restituir a saúde da orquídea. São muitos os produtos sintéticos vendidos em casas especializadas e não vou entrar no detalhamento destas substâncias. Penso que devemos usá-los em casos onde não há outro meio. São sempre tóxicos e podem acarretar algum dano ambiental e à saúde humana e animal. Encorajo o estudo de plantas que possuem princípios ativos que nos interessam para tal propósito.

Aloé1

Aloé

Só como informação, a American Orchid Society recomenda o pó / óleo de canela como excelente fungicida. Também o U.S. Enviromental Protection Agency cita a canela como pesticida sem riscos. De minha experiência própria, uso a canela aplicada à Aloe vera (planta simplesmente extraordinária) formando uma pasta protetora nas lesões da planta. A Aloé é germicida, desinfetante e cicatrizante e tem uma mucilagem colante que permite que a canela atue por longo tempo.

As principais doenças fúngicas

– Mofo cinzento: É uma doença que se caracteriza por apresentar pontos escuros nas flores, eventualmente também nas folhas. É comum em Phalenopsis, Cattleya e Dendrobium. O patógeno chama-se Botrytis cinerea e geralmente manifesta-se no inverno e primavera. Os esporos são difundidos pela água e pelo vento. As plantas ficam com o crescimento dificultado, as flores ficam feias e morrem.  Posteriormente há severa perda de folhas, caso nada seja feito. É facilmente controlado ao manter as orquídeas em ambiente de boa circulação de ar e irrigando apenas as raízes. Nunca molhe as flores. Ao perceber o fungo, descartar a parte afetada. Em caso muito grave, o fungicida indicado tem como princípio ativo o Mancozeb (Dithane ou Manzate). Além dos já citados, também pode afetar os gêneros: Aerides, Ascocentrum, Brassia, Brassocattleya, Brassolaeliocattleya, Broughtonia, Calanthe, Cycnoches, Cymbidium, Doritaenopsis, Epidendrum, Laelia, Laeliocattleya, Maxillaria, Miltonia, Oncidium, Paphiopedilum, Phaius, Potinara, Trichoglottis, Vanda e Vanilla.
Botrytis cinerea                                                                           Botrytis cinerea

Fusariose: Afeta as raízes, os pseudobulbos, folhas e flores. Ou seja, se não tratar mata a planta. Também conhecido por “canela seca”. Os sintomas são manchas ovais marrons nas flores e folhas novas, dificuldade de crescimento, murcha e clorose. Três ou quatro manchas nas folhas são característica da doença, que se alastra rapidamente. É preciso remover as partes infectadas usando ferramentas esterilizadas (a chama do fogão é o suficiente). A infecção ocorre pelas raízes, sendo que o dano causado no sistema vascular dificulta o transporte de água e nutrientes. Se cortamos o pseudobulbo percebe-se linha escuros indo em várias direções. Tem um cheiro desagradável de podre. O agente causador é o Fusarium oxysporum e o Fusarium solani. O fungo gosta de temperaturas entre 25ºC e 30ºC. A forma principal de propagação é através do uso de ferramentas de corte não esterilizadas. Segundo a Houston Orchid Society, os sintomas desenvolvem-se mais em plantas estressadas pelo calor e em condições de umidade muito elevada. Utilização muito pesada de fertilizantes também contribui para o desenvolvimento da moléstia. Não há cura garantida para o Fusarium. O melhor é prevenir. No caso de usar fungicidas, aconselha-se os de contato (mancozeb) e os sistêmicos (mefenoxam, tiofanato-metílico), tão logo apareçam os sintomas. Um exemplo, respectivamente são o Manzate / Dithane e o Ricomil / Cercobin. Mas sempre que possível aconselho a evitar defensivos tóxicos. Os gêneros mais afetados são: Aerides, Ascocenda, Brassavola, Brassocattleya, Brassolaeliocattleya, Bulbophyllum, Catasetum, Cattleya, Cycnoches, Cymbidium, Dendrobium, Lycaste, Oncidium, Phalaenopsis, Potinara, Sophrolaeliocattleya e Vanda.

Podridão negra : Gerada pelo fungo Phytophthora e Pythium. Algumas espécies destes fungos atacam o Dendrobium, gerando manchas amarelo esverdeadas nas folhas, ficando negras posteriormente. A moléstia progride através das raízes e a chance da planta morrer é grande. As partes atacadas ficam moles destacando-se facilmente da planta. Nas mudinhas novas ocorre o “dumping-off” (tombamento). Os esporos são dispersos via água e também por contato. Temperaturas amenas / elevadas e alta umidade favorecem este patógeno. Assim, nestas condições, o cuidado tem de ser grande. Eliminar as partes afetadas é a primeira atitude, além de ter atenção na irrigação. Em orquidários maiores a aplicação preventiva de fungicidas pode ser inevitável. A doença é muito contagiosa e se as medidas de combate não forem suficientes, tem-se de eliminar a orquídea. Os principais gêneros atacados são: Brassia, Coelogyne, Cymbidium, Laelia, Aerides, Ascocentrum, Epicattleya, Maxillaria, Paphiopedilum, Potinara, Rodriguezia, Brassavola, Brassocattleya, Brassolaeliocattleya, Cattleya, Cyrtopodium, Epidendrum, Laeliocattleya, Oncidium, Vanda e Phalaenopsis além do Dendrobium (já citado).

Manchas foliares de Phyllosticta : O patógeno é o fungo do gênero Phyllosticta. Ocasiona manchas amareladas nas folhas que tornam-se marrons com o tempo ou mesmo negras quando o fungo vai produzir esporos. Estes esporos são disseminados pelo vento e água. O formato das manchas é circular ou ovalado, bordas bem definidas e no centro pode-se ver os picnídios (órgão de frutificação do fungo). Formam estruturas que ficam imersas no tecido do hospedeiro e aquilo que é perceptível na superfície é apenas uma pequena parte do patógeno. A faixa de temperatura boa para este fungo é entre 25ºC e 30ºC. Segundo a Universidade do Hawai, não há tratamento químico satisfatório para esta doença. Quando as manchas começam a se desenvolver, o melhor é cortá-las, não deixando também nenhuma folha morta na planta ou no vaso. Isto impede a contaminação nas plantas sadias. O melhor, quando da irrigação, é fazer no início do dia, permitindo rápida secagem. Ambientes com boa circulação de ar são imprescindíveis para qualquer espécie que estejamos cultivando. Embora seja doença mais comumente vista em Dendrobium e Vanda , também pode ocorrer em Cymbidium, Brassolaeliocattleya, Cattleya, Epidendrum, Laelia, Laeliocattleya, Odontoglossum. Oncidium e Phalaenopsis.

Antracnose : Gerado pelo fungo Colletotrichum. As folhas ficam com manchas marrom escuras ou acinzentadas que formam anéis concêntricos, com leve depressão. Atacam tanto os “seedlings” (mudinhas) como as plantas adultas. É favorecido por temperaturas mais baixas (entre 10º e 20º) e alta umidade. Para prevenir, evite locais sombreados, de pouca circulação de ar e isolando a planta quando for atacada. O combate é feito com a aplicação de sulfato de cobre sobre as partes atacadas ou com fungicidas sistêmicos (Mancozeb). Os gêneros afetados são: Aerides, Ascocenda, Ascocentrum, Brassavola, Brassia, Brassocattleya, Brassolaeliocattleya, Bulbophylum, Catasetum, Cattleya, Cymbidium, Cyrtopodium, Dendrobium, Epicattleya, Epidendrum, Laelia, Laeliocattleya, Maxillaria, Miltonia, Odontoglossum, Oncidium, Paphiopedilum, Phaius, Phalaenopsis, Pleurothallis, Rodriguezia, Sophrolaeliocattleya,, Vanda, Vanilla, Zygopetalum, entre outros.
Antracnose 1Antracnose

Podridão das raízes: O fungo causador é do gênero Rhizoctonia que seca os pseudobulbos e causa deterioração radicular, o que tira a vitalidade da parte aérea e fim de novas brotações. Lentamente mata a planta. O patógeno gosta de alta umidade e temperaturas beirando os 30ºC. Possui muitos hospedeiros, sendo assim é importante eliminar restos culturais tanto no orquidário como nos arredores. Os cuidados com esterilização de ferramentas são fundamentais, o que é uma atitude que pode-se considerar como uma recomendação geral. Também o exagero na irrigação ou a má drenagem facilita o surgimento da doença. Tratamentos químicos são feitos com fungicidas sistêmicos. Orquídeas atacadas: Aerides, Brassavola, Brassocattleya, Cymbidium, Dendrobium, Epicattleya, Epidendrum, Laeliocattleya, Oncidium, Paphiopedilum, Phalaenopsis, Potinara Vanda, entre outras.

– Ferrugem : Os agentes causadores podem ser vários, destacando-se: Sphenospora kevorkianii (=Uredo nigropunctata), Sphenospora mera, S. saphena , Uredo epidendri, U. behnickiana e Hemileia oncidii . Este último se diferencia por não apresentar pústulas. Estes fungos gostam de uma combinação de alta umidade com temperaturas amenas. Ocorrem em vários países desde os EUA até o Brasil. As folhas são as partes atacadas, principalmente na parte inferior, onde aparecem pequenas pustulass alaranjadas ou mesmo marrom-avermelhadas. O pó alaranjado são os esporos que se disseminam pelo vento e pela água. Crescem com grande rapidez. Como medida inicial, deve-se cortar as partes atacadas e queimá-las. Nunca jogar no chão próximo ao orquidário. Em seguida é aconselhável deixar a planta isolada das demais. Os fungicidas com sulfato de cobre são os recomendados. É mais frequente em Oncidium, mas também aparece em Brassavola, Brassia, Bulbophylum, Capanemia, Catasetum, Cattleya, Cyrtopodium, Dendrobium, Encyclia, Epicattleya, Epidendrum, Laelia, Lycaste, Masdevallia, Maxillaria, Miltonia, Odontoglossum, Phaius, Pleurothallis, Rodriguezia e Zygopetalum.

Cercosporiose : A infecção inicial pode ocorrer em ambos os lados das folhas, mas geralmente manifesta-se na parte inferior, onde surgem manchas amareladas e irregulares que com o tempo tomam a coloração marrom escura com centro acinzentado. Também na parte superior surgirão pequenas manchas circulares envoltas por um anel amarelado ou arroxeado. Na sequência as manchas ficam necrosadas, cobrem as folhas inteiras e acabam caindo. Períodos de chuva, seguidos de alta umidade relativa são favoráveis para o desenvolvimento da moléstia. O fungo causador é o Cercospora odontoglossi e os gêneros mais atacados são: Brassavola, Cattleya, Cymbidium, Epidendrum, Miltonia, Oncidium, Laelia, Odontoglossum, Oncidium e Sophronitis. Plântulas em bandejas coletivas são mais suscetíveis, pelo que é recomendável usar potes individuais. Além do descarte das partes atacadas, o controle pode ser feito com fungicidas à base de cobre, Manzeb e Ferban.

Podridão da base : Também conhecido como Murcha do Sclerotium, esta doença é causada pelo fungo Sclerotium rolfsii. Os sintomas iniciais aparecem na base da planta, com um enrugamento e podridão dos talos e algumas lesões escuras e irregulares nas folhas (começam nas bordas avançando para toda a superfície). Ao redor das manchas surge um halo amarelado. Nos tecidos das raízes e pseudobulbos observa-se um micélio branco (como algodão) direcionando-se para as folhas. O apodrecimento da base impede a circulação normal de seiva, o que prejudica toda a parte aérea. Este patógeno sobrevive em substratos orgânicos por longos anos, vivendo de forma saprofítica, suportando com grande resistência as adversidades climáticas. Quando as condições são favoráveis rapidamente volta a se desenvolver. Alta umidade, temperaturas acima de 26º C e substrato muito orgânico são as condições ideais para o fungo.

Substratos adequados, limpos e com bastante aeração e drenagem garantem uma boa proteção contra esta doença. Cattleya, Dendrobium, Cymbidium, Phalenopsis e Vanda são os gêneros mais suscetíveis.

Manchas foliares de Phoma pestalozzia : Provoca o trincamento das folhas e manchas alongadas ao redor das nervuras. O gênero de orquídea mais sensível é a Vanda. O Cercobim é um fungicida que pode ser utilizado.

Considerações finais

Não sou um especialista em doenças de orquídeas mas esta área me instiga ao estudo. Não há nada mais desagradável para quem cuida de uma planta, do que descobrir que ela está doente e que podemos perdê-la. Esta postagem é uma revisão bibliográfica minuciosa e não gostaria que parasse por aqui. Peço a qualquer pessoa que ao ler este artigo e quiser colaborar, que envie correções , acrescente informações ou mesmo fotografias para cada doença. Com o tempo irei ilustrar com fotos próprias ou autorizadas.

Referências:
– Complete guide to orchids – Miracle-gro USA
– Dendrobium nobile – Plants rescue – USA
– Diseases of Dendrobium Orchids – Charmayne Smith – Garden guides

Problemas de la orquídea Dendrobium – Yashekia King
Fungus on Dendrobium Orchids – Renee Miller Demand Media
– Diseases of Dendrobium Orchids – Audrey Stallsmith –
Demand Media
– Pests and Diseases – James Watson
– The control of the fusarium wilt of orchids – G.D. Palmer – eHow contributor
– Black rot – Pythium and Phytophthora – St. Augustine Orchid Society
Yellow spot and blight of dendrobium leavesJanice Y. Uchida Department of Plant Pathology University of Hawaii
– Phyllosticta Leaf Spot – Susan Jones – American Orchid Society
– Levantamento e desenvolvimento de kit diagnóstico de patógenos e propagação
in vitro de orquídeas no estado do Rio de janeiro – Everaldo Hans Studt Klein – Instituto de Biologia
– Black Rot of Orchids Caused by Phytophthora cactorumand Phytophthora palmivora
in Florida – R. A. Cating and A. J. Palmateer, Tropical Research and Education Center, University of Florida
– The best fungicide for orchids – Victoria Lee Blackstone
– Doença de orquideas – Professor João Araújo – Agrônomo da UFRJ
– Aspectos de fungos fitopatogênicos em plantas ornamentais e seu controle – Leila Nakati Coutinho
– Cercosporiose em orquídeas – Planta Sonya
– Orchid Culture – Diseases, Part 2 – The Flagrant Fungi – Sthepen Batchelor
– Sclerotium rolfsii – Nuevo patógeno de orquídeas para la República Argentina / Maria Galmarini, Maria cabrera, Eduardo Flachsland
– Epidemiologia de las enfermedades fungosas em orquideas – Ing. German Rivera Coto M.Sc. – Fitopatólogo de la UNA – Argentina