Dendrobium nobile – Olho de boneca

Dendrobium nobile comum

Dendrobium nobile olho de boneca

Nome científico: Dendrobium nobile
Nomes populares: Dendróbio, olho de boneca
Família: Orchidaceae
Clima: Subtropical, tropical, tolerando também climas temperados e diferentes alturas e temperaturas.
Origem: Sudoeste da Ásia, principalmente Índia, sul da China, Vietnam, Tailândia, Burma, Butão, Nepal, Birmânia.
Altura: 30 – 60 cm
Luminosidade: 30% a 50% de sombreamento. Excesso de luz mostram folhas mais amareladas. Já a deficiência gera folhas verde escuras.

Dendrobium pequeno

Híbrido com flores pequenas

Ciclo de Vida:  Perene
Descrição
: O Dendrobium nobile é uma orquídea epífita, simpodial, que forma pseudobulbos eretos, sulcados, relativamente grandes, com nós e entrenós bem distintos. As touceiras atingem 50-60 cm de altura . As folhas são ovais-oblongas com até 10 cm de comprimento e 2-3 cm de largura, estando inseridas nos nós, saindo de lados alternados. As hastes florais são curtas e geram de 1 a 3 flores. Estas com 6 – 7 cm de diâmetro. Possuem uma cor lilás claro, com labelo quase branco e um círculo escuro no centro, surgindo daí o nome popular “olho de boneca”. As flores também surgem dos nós, tem aroma agradável e uma duração aproximada de um mês. Surgem na primavera. Podem formar cápsulas com milhares de sementes.Pelo intenso processo de hibridação é imensa a variedade de cores: rosadas, brancas, amarelas, alaranjadas, verdes, vermelhas, lilases. Assim sendo foi amplamente difundida, sendo uma das flores mais populares do mundo. Não florescem nos pseudobulbos novos, mas naqueles desenvolvidos no ano anterior. Mas muitos híbridos quebram esta regra.
Local de cultivo: Planta muito decorativa, podendo ser usada em exteriores pendurada em árvores. Nas palmeiras se dão muito bem. No caso de vasos, tanto os de plástico como os de barro podem ser usados. Não precisam ser muito grandes em diâmetro (regra geral para todas as orquídeas) nem muito profundos. Importante é terem boa drenagem.

Dendrobium amarelo

Híbrido amarelo

Substrato: Indica-se misturas com cascas, carvão, fibras, entre tantos substratos. Particularmente uso só brita, precisando ficar atento à irrigação e adubação.
Água: Irrigar quando o substrato estiver seco. No verão pode-se molhar mais. Durante o inverno, quando a planta está em repouso, molhar bem menos. Inclusive isto ajuda na floração pois o Dendrobium precisa, no repouso, de um período seco, aliado a baixas temperaturas. Claro que quando o cultivo é exterior, não coberto, não será possível controlar adequadamente a irrigação assim como também a temperatura.
Temperatura: Varia de 10ºC a 30ºC. Os híbridos são muitíssimo fortes, suportando variações de temperatura desde 0º até 40ºC.

Híbrido branco

Híbrido branco

Adubação: Sugiro a que venho usando satisfatoriamente.
Química: Primavera: 1 g/l fórmula 30-10-10
                  Verão: 2 g/l fórmula 30-10-10
                  Outono: 1 g/l fórmula 10-30-20 alternado com 30-10-10
                  Inverno: 0,5 g/l fórmula 10-30-20
As aplicações são feitas a cada 15 dias aproximadamente, pulverizadas principalmente nas raízes. Caso falte o tipo de fórmula indicada, uso a mais próxima.
A fórmula 30-10-10 é indicada para o crescimento, quando começam a surgir brotos e folhas. Na fórmula 10-30-20, o nível maior de P é para formar raízes abundante e fortes. O potássio aumenta a resistência à doenças além de acelerar o crescimento e melhorar a qualidade das flores. Se for mais conveniente para a pessoa, pode-se fazer as aplicações, nas quantidades indicadas, com a fórmula   20-20-20.
Organomineral: Composto de torta de mamona aliado a rochas basálticas moídas. Também usa-se o Bokashi e um composto à base farinha de ossos, torta de mamona e cinzas.

Dendrobium pink 2

Híbrido pink

Propagação: Multiplica-se por divisão da planta e por mudas que surgem nos pseudobulbos. Estas mudas são chamadas “keikis”, que na linguagem havaiana significa bebê. O porque do surgimento dos keikis está relacionado a vários fatores: genético, luminosidade, mudanças hormonais, excesso de Nitrogênio na adubação, danos radiculares ao reenvasar e podridões nas raízes. Se não se tem interesse nos Keikes podemos arrancá-los ao qualquer hora. Mas é uma forma de multiplicação boa, sendo que a nova planta sairá igual a planta mãe (reprodução assexual). Os keikis se desenvolvem rapidamente uma vez que tem todos os nutrientes necessários no pseudobulbo. Antes de retirá-lo para colocar em um novo vaso (este deve ser pequeno), aguarde até as raízes estarem com uns 8 cm.
Pode-se estimular a produção de keikis ao colocar em uma bandeja com brita, estacas com 3 a 4 nós. São estimuladas a produzir brotação e enraizar com aplicações semanais de uma solução com 1g de uréia / litro de água.
Já por divisão, a planta deve ter de 6-8 pseudobulbos, sendo que a muda precisa ter 3 pseudobulbos no mínimo. O ideal é fazer este tipo de divisão quando realmente houver necessidade pois o Dendrobium gosta de formar grandes touceiras. Subdividir demais enfraquece a planta. O procedimento sempre é feito depois da floração, quando começam a lançar brotos basais e novas raízes, deixando o substrato seco nos primeiros dias.
Pragas, doenças e outros problemas: Por ser tema muito extenso e complexo será exposto em postagem separada. Além de que muitas pragas e doenças atacam vários gêneros de orquídeas. Mas neste momento, apenas como citação, fica indicado os principais agentes causadores destes problemas.
Fungos : Mofo cinzento (Botrytis), Canela seca (Fusarium), Phyllosticta, Antracnose (Colletotrichum), Podridão negra (Phytophthora), Podridão das raízes (Rhizoctonia) além de ferrugens.
Bactérias: Mancha marrom (Acidovorax cattleya), Podridão mole (Erwinia carotovora)
Vírus : Não é significativo para Dendrobium
Pragas : Ácaros, pulgões e cochonilas são as piores. É bom ficar atento também com caramujos e lesmas.

Dendrobium magenta

Híbrido magenta

Outras considerações:
– A queda de folhas é normal no início da primavera. Mesmo que apresentem algum fungo, não é motivo para preocupação.
– O período mais sensível ao ataque de pragas, como o pulgão, ocorre quando da brotação e formação de botões florais.
– Algumas dicas de controle natural de pragas:
Camomila – Em 1 litro de água colocar em infusão 200g de flores. Mata pulgões.
Arruda – Folhas em infusão repelem pulgões e percevejos.
Orégano Combate cochonilhas em infusão com 2 colheres de sopa / litro.
Calêndula – Repele as formigas (que levam pragas para o orquidário).
Alamanda – Combate pulgões pulverizando o chá sobre a planta.
Óleo de neem – Combate pulgões, lagartas e cochonilhas, além de fungicida.
Fumo – A solução pulverizada é mortal para pulgões.

Híbrido lilás claro

Híbrido lilás claro

Referências:
– Olho de boneca – Raquel Patro / Jardineiro.net
Care Instructions for Dendrobium Nobile – Jiro Yamamoto
The Dendrobium Orchid – Landscape and garden
– Complete guide to orchids – Miracle-gro USA
– O grande livro das orquídeas – On line Editora
– Orquídeas – Valério Romahn
– Dendrobium nobile – Plants rescue – USA
– orquídea olho de boneca – Alexandre Panerai / Estágio no sítio dos herdeiros
– Dendrobium nobile – Most beautiful orchid – Jungle Rebel
– Curso “Cultivo de orquídeas” – UFSC – Eng. Agr. Giorgini Venturieri
– Dendrobium keiki – What causes them to appear? – Ricardo Valentin
Orchid Keikis – Everything orchids
– D
iseases of Dendrobium Orchids – Charmayne Smith – Garden guides
– Dendrobium Orchid Care: The Basics –
Ryan Levesque
Colecionando Dendrobium – Maria Lucia Alvarenga Peixoto
Problemas de la orquídea dendrobium – Yashekia King
Fungus on Dendrobium Orchids – Renee Miller Demand Media
– Diseases of Dendrobium Orchids – Audrey Stallsmith –
Demand Media
– Pests and Diseases – James Watson
– The control of the fusarium wilt of orchids – G.D. Palmer – eHow contributor
– Black rot- Pythium and Phytophthora – St. Augustine Orchid Society

Yellow spot and blight of dendrobium leavesJanice Y. Uchida Department of Plant Pathology University of Hawaii
– Phyllosticta Leaf Spot – Susan Jones – American Orchid Society
– Levantamento e desenvolvimento de kit diagnóstico de patógenos e propagação
in vitro de orquídeas no estado do Rio de janeiro – Everaldo Hans Studt Klein – Instituto de Biologia

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Uma relíquia: projetor de filmes à manivela

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Recentemente li uma reportagem sobre achados arqueológicos na antiga muralha de Adriano na Inglaterra, divisa com a Escócia. Era uma estrutura que demarcava a fronteira do Império Romano e servia como proteção contra as invasões vindas do norte. Começou a ser construída há uns 2000 anos. Ao longo desta muralha, em espaços bem definidos e estratégicos, torres de observação eram montadas e junto a estas se formavam pequenas vilas. Os soldados estabeleciam famílias e existiam boas condições de vida, incluindo um eficiente sistema de comunicação (Correios) entre as comunidades e também com Roma.

Os trabalhos de escavação nos sítios arqueológicos continuam até hoje. Tanto no Museu Britânico, em Londres, como em museus locais pode-se ver objetos (sapatos, bolsas, pentes, etc) e cartas (escritas em lâminas finas de madeira). É maravilhoso poder ler o descritivo do dia a dia das pessoas de tantos séculos atrás, reclamando do clima, descrevendo suas festas, falando dos presentes que chegaram da capital, convites para aniversário, intrigas… Algo de pessoas como nós, a vida humana de um outro tempo. Preservar a história é quase um dever de cada um.

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Bem, escrevi esta introdução para explicar esta peça que aparece nas fotos e que acabo de restaurar. É um projetor de filmes 35 mm, um brinquedo lançado na década de 1930. Estava a limpar uma pequena sala em minha casa (onde guardo ferramentas e vários utensílios), quando encontrei esta relíquia dentro de uma caixa. Estava em um estado deplorável. Perguntei-me como que alguém como eu, que ama arqueologia, abandonou algo tão significativo.

O brinquedo originalmente era de meu pai, mas também foi meu durante a infância. Recentemente, conversando com tia Marisa (irmã de meu pai) obtive algumas informações sobre o objeto. Minha família é natural de Rio Pardo RS e meu saudoso avô Germano Wunderlich costumava viajar até Santa Cruz, a cidade mais próxima. Numa destas idas, meu pai (o então menino Frederico) ficou hipnotizado, na vitrine de uma loja, pelo projetor. Mas meu avô não quis comprar. Durante o trajeto de retorno para Rio Pardo, ele chorou tanto que não houve jeito : voltaram para pegar o brinquedo. Foi tão grande a afinidade com o projetor que Marisa reunia suas amiguinhas para sessões caseiras de cinema, onde Frederico empolgado acelerava a manivela. Qualquer pedaço de filme , conseguido no cinema local, era motivo de grande empolgação. Penso que foi a revelação de um talento, pois até hoje ele gosta de imagens, mostrando-se um excelente fotógrafo.

É uma pequena história, coisas simples que acontecem com todos nós. Mas fiquei muito feliz em ter salvo lembranças que fatalmente se perderiam. Quem sabe este objeto não possa durar também uns 2000 anos! E no futuro distante um investigador abra janelas no tempo, revelando pedaços de nossas vidas e enriquecendo esta rápida passagem humana por este planeta incrível…

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Deusa mãe

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Deusa Mãe

O sol nascente doura o oceano
A imensa praia por onde caminho,
por um momento,
parece ser o paraíso

As águas tocam carinhosamente
em meus pés
e posso ver o arco íris
nos desenhos
deixados nas areias
pelas ondas do mar

Em minha insignificância
sou abençoado
pela beleza
e pelo amor
da Deusa Mãe

São momentos assim
que nos fazem sentir
que vivemos
por uma sublime
razão

Quadro de fundo: “Portal das águas” –  pintura em acrílico sobre tela com textura e colagem da artista Kátia SalvI