Nutrição em orquídeas

 

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Laelia purpurata

O que é nutrição?

Nutrição é o mecanismo de obtenção de nutrientes, tanto em animais como em vegetais, para os processos de manutenção da vida. Os animais, neste sentido, são heterotróficos, ou seja, não conseguem produzir seu próprio alimento. Já as plantas são autotróficas, seres que produzem os alimentos que precisam, através do gás carbônico, da luz, da água e dos minerais do substrato.

Quase a totalidade de uma planta é constituída de Oxigênio (O), Carbono ( C ) e Hidrogênio (H). Apenas 5% são nutrientes minerais, os quais são chamados de macronutrientes (aqueles utilizados em quantidades maiores) e micronutrientes ( utilizados em quantidades menores). Como C,H e O são obtidos da água e do ar, apenas os demais elementos, em situações de escassez, irão gerar limites para o bom desenvolvimento da planta, tornando-a suscetível às doenças e pragas.

As orquídeas desenvolveram mecanismos altamente eficientes de absorção de nutrientes como a utilização do velame (tecido esponjoso da raiz) que retém a umidade e seus elementos. Por isto a drenagem é tão importante pois as orquídeas precisam ficar secas entre uma irrigação e outra. Caso isto não ocorra os nutrientes não são concentrados e passados para o interior da planta. Também desenvolveram folhas e pseudobulbos capazes de armazenar nutrientes além de associações com fungos que decompõem a matéria orgânica disponibilizando os nutrientes para as plantas.

Portanto, no cultivo de orquídeas devemos imitar tanto quanto possível as condições de seu habitat natural. Na natureza, as orquídeas recebem um constante fornecimento de nutrientes, de forma lenta e suave, através da água que escorre pelas raízes levando consigo uma “sopa” de elementos oriundos de dejetos de pássaros e animais, materiais depositados pelo vento e substâncias decompostas sob a copa das árvores que as abrigam. As orquídeas terrestres também obtém minerais do solo. Por esta razão, é muito importante adubar regularmente as orquídeas com fertilizantes de alta qualidade e balanceados.

O que são nutrientes?

Nutrientes são os elementos absorvidos pelas raízes das plantas para sua nutrição e metabolismo. Como em nossos orquidários geralmente usamos substratos inertes ou que liberam poucos nutrientes, precisamos aplicar fertilizantes (orgânicos ou químicos) para suprir as necessidades da planta. Os principais são os seguintes:
Macronutrientes – Nitrogênio (N), Fósforo (P), Potássio (K), Cálcio (C), Magnésio (Mg) e Enxofre (S)
Micronutrientes – Boro (B), Cloro (Cl), Cobre (Cu), Ferro (Fe), Manganês (Mn), Sódio (Na), Zinco (Zn), Molibdênio (Mo), Níquel (Ni), Silício (Si), Cobalto (Co)

Funções dos nutrientes na planta

Nitrogênio: É o principal componente de proteínas, hormônios, clorofila, vitaminas, enzimas, ácidos nucléicos e alcalóides. O metabolismo do N é o principal fator no crescimento vegetativo e vital na estrutura da parede celular.
Fósforo: Essencial para a fotossíntese, formação de proteínas, participante fundamental na molécula de ATP, rico em energia, atuante em quase todos os aspectos de crescimento, metabolismo e armazenamento de energia na planta. É vital para o florescimento.
Potássio: Participa da síntese de proteínas e carboidratos, na formação de açúcares e amidos, ativador de enzimas e necessário na divisão celular. Uma das principais funções é o controle de absorção e perda de água (promove a firmeza da planta) através da abertura dos estômatos. Também acentua as cores das flores.
Cálcio: É parte da estrutura das paredes celulares, desempenha importante papel no funcionamento e ativação das enzimas, ajuda no controle da água no interior das células e atua no crescimento e divisão celular.
Magnésio: É importante componente da molécula de clorofila, sendo necessário para o funcionamento de enzimas e na produção de carboidratos, açúcares e gorduras.
Enxofre: Componente da estrutura dos aminoácidos, proteínas, vitaminas e enzimas. É essencial para a produção de clorofila.
Ferro: É necessário para o funcionamento das enzimas, síntese de clorofila e para o crescimento de tecidos jovens. Atua nas reações de ganho (pela fotossíntese) e perda (respiração) de energia, constituinte das cadeias de transporte de elétrons.
Manganês: Envolvido na atividade enzimática para a fotossíntese, respiração e metabolismo do nitrogênio, além da regulação da concentração de auxina (hormônio de crescimento).
Boro: Atua na divisão e crescimento celular, formação da parede celular, na absorção do Cálcio, fazendo parte do processo de transferência de açúcares entre as partes da planta.
Em muitas funções está presente como o florescimento, a germinação do pólen, o desenvolvimento das sementes, a divisão celular, o equilíbrio hídrico e o movimento de hormônios.
Zinco: É um componente das enzimas, atua no funcionamento das auxinas (hormônios de crescimento), além de essencial no metabolismo dos carboidratos e síntese proteica.
Cobre: Atua no metabolismo do Nitrogênio, componente de várias enzimas, além de estar presente nas cadeias de transporte de elétrons. Está concentrado principalmente nas raízes.
Molibdênio: É componente estrutural da enzima que reduz o nitrato absorvido em amônia. Sem isto, a síntese de proteína é bloqueada comprometendo o crescimento da planta, as sementes não se formam completamente e também ocorre deficiência de Nitrogênio.
Cloro: Está envolvido no processo da osmose, o equilíbrio iônico necessário para as plantas assimilarem os elementos minerais. No processo de fotossíntese participa da divisão molecular da água.
Níquel: É importante para a absorção do ferro e é essencial na urease, que permite a utilização da uréia como fonte de N.
Sódio: envolvido nos processos osmóticos e balanço iônico da planta.
Cobalto: É necessário para a fixação do Nitrogênio.
Silício: É componente das paredes celulares. Plantas com bom suprimento de silício formam paredes celulares fortes, tolerantes à seca e com sistema radicular abundante. Existem estudos que sugerem que o silício também aumente a resistência contra fungos.

Referências: 

– Nutrição Mineral: Conceitos básicos e avanços em nutrição e fertilização – Donizetti Rodrigues
– University of Waterloo Canada – Jerry Bolce – The Orchid House
– Complete guide to orchids – Miracle-grow – Ned Nash and Steve Frowine
– Cultivo de orquídeas – Dr Georgini Venturieri – UFSC

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Cultivo de orquídeas em brita

Dendrobium pierardii

Dendrobium pierardii

Brita – o que é

Brita são rochas trituradas por máquinas formando diferentes tamanhos de pedras. O tipo de rocha não importa, sendo as mais comuns as basálticas. O destino principal das britas é a construção civil, como componente do concreto. Mas tem uma grande variedade de utilizações, como cobertura para estradas e passeios, formação de drenos e, inclusive, como substrato para muitos gêneros de orquídeas. Não apenas para a drenagem no fundo dos vasos, mas como a totalidade do substrato. 

Granulometria

Compradas em lojas para materiais de construções, podemos encontrá-las de várias cores: cinzas, rosadas, esbranquiçadas e até pretas. Também possuem várias granulometrias, específicas para diferentes funções, conforme classificação a seguir.

pó de pedra – de 0 a 3 mm
pedrisco – de 3 a 5 mm
brita 0 – de 5 a 12 mm
brita 1 – de 12 a 22 mm
brita 2 – de 22 a 32 mm
brita 3 – 32 a 62 mm
brita 4 e 5 – de 62 a 100 mm

Vantagens do uso de brita no cultivo de orquídeas

– Pode-se dizer que a maior vantagem sobre substratos orgânicos é o fato de não se decompor. Nos cultivos convencionais é preciso trocar de vaso a cada 2 anos, sempre com traumas para a planta. Usando brita esta troca de vasos ocorreria apenas quando este estivesse danificado ou a planta precisasse de maior espaço ou ser dividida.
– Sendo um material inerte, as pragas e patógenos desaparecem, não encontrando meio adequado para seu desenvolvimento.
– O perigo de encharcamento por excesso de regas ou chuvas diminui pois a drenagem é muito rápida.
– Como a brita é composta de partes grandes, a aeração é excelente, diminuindo o apodrecimento de raízes
– É um material barato.

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Cattleya intermedia

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Cattleya híbrida

Aspectos a considerar

– Por reter menos umidade, as regas poderão ser em maior número. Apesar que por minha observação, a secagem da brita não é tão rápida como dizem. Basta fazer a experiência de colocar um vaso com brita na chuva e 2-3 dias após ainda haver umidade no interior do vaso. De qualquer forma, nunca deixo de molhar menos de 2 vezes por semana naquelas plantas que estão em ambiente coberto. Para os vasos que estão no sombrite, precisamos estar sempre atentos ao tempo. Se não chover na semana é preciso molhar. Em períodos muito secos ou quentes, molho a cada dois dias ou até diariamente. Mas aí são períodos curtos durante o ano em Santa catarina.
– Vasos que estão fora do sombrite, sujeitos ao sol direto, precisam ter as britas cobertas por uma fina camada de esfagno pois, caso contrário, acarretará em aquecimento excessivo das britas podendo queimar as raízes. Já sob telas com 50% ou mais de sombreamento não acontece este problema.
– Brita é um material pesado. Assim, ao utilizarmos este sistema é bom considerar as bancadas que irão suportar os vasos. E, no caso de recipientes pendurados, os arames tem de ser mais resistentes. Uma saída é o uso de argila expandida no fundo dos vasos para diminuir o peso. Em compensação, não é qualquer vento que irá virar um vaso.

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Laelia purpurata

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Dendrobium moschatum com cobertura de esfagno

Como proceder

– O tamanho da brita , conforme classificação acima, ao meu ver seria a nº 1, no máximo a 2. Na parte de cima coloco uma pequena camada de pedrisco, o que impede que adubos granulados orgânicos lixiviem rapidamente.
– Ao comprar a brita, obrigatoriamente, é preciso lavá-la com bastante água corrente para eliminar resíduos inadequados que sempre tem (como restos de areia e cimento). A brita também poderá ser reutilizada no futuro, desde que bem lavada e limpa com substância clorada.
– A colocação da planta no vaso segue os mesmos critérios usados para outros substratos. Plantas de crescimento simpodial devem ter a parte traseira encostada na parede do vaso. E as monopodiais plantadas no centro.
– As espécies que podem ser cultivadas em brita ainda não posso afirmar com certeza. Mas estão satisfatórios, na minha experiência, os gêneros Cattleya, Laelia, Dendrobium, principalmente. Mesmo Phalenopsis, Brassia, Miltônia, Maxilaria, Cyimbidium, híbridos e até algumas micro orquídeas parecem bem depois de 1 ano de observações, inclusive florindo.
– Até a planta se fixar totalmente é bom sustentá-la com um pequeno tutor e / ou arame.
– A adubação que uso é orgânica (mamona + pó de basalto) a cada 3 meses e NPK a cada 15-20 dias.

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Phalaenopsis

Consideração final

Não tenho intenção de contestar nenhum sistema. O melhor é aquele que está dando certo no ambiente onde se encontra. Apenas me recuso, diante de tantas informações e formas de manejo, a simplesmente aceitar algo como definitivo. Inclusive muitas afirmações no mundo das orquídeas carecem de embasamento. De onde vem a informação? Quem assina ? Há algum interesse comercial por trás? O certo é que só a Natureza, com sua surpreendente e inimaginável sabedoria, consegue as condições perfeitas. E quando precisa, recicla, muda.
A nós, que tiramos a orquídea de seu habitat, resta continuar tentando achar a melhor circunstância. E para isto é preciso muita paciência, sensibilidade e discernimento.

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Mini-Phalaenopsis com Dendrobium thyrsiflorum ao fundo

Obs: Todas as fotos são de espécies cultivadas exclusivamente na brita, plantadas há mais de um ano.

Abertura

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Abertura

Meu corpo-alma
é como uma casa-útero
Todas as portas e janelas
estão fechadas
Caminho na escuridão,
os pensamentos-projetos de luz
desvanecem-se porque são apenas
sonhos sem força
Não posso continuar envolvido
nesta rede sem fim,
de sentimentos,
de emoções,
de ideias,
que se ligam numa continuidade
que não leva a lugar algum

Vejo
que pelas frestas
das janelas
penetram tênues
fachos de luz
Sinto que estou cercado
de vida e luz
Meu trabalho primeiro
precisa ser este,
um esforço contínuo
para escancarar
todas as aberturas,
deixando que as trevas
dissipem-se para sempre
É isto que chamo de êxito
Tudo o resto é secundário

Enquanto não conseguir
esta clara-visão,
nem que seja
no momento
de deixar este mundo,
minha vida parecerá
ter sido em vão

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Quadro de fundo: pintura à óleo sobre tela do artista Christian Salvi Wunderlich

Lírio da paz

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Nome científico: Spathiphyllum wallisii
Nomes populares: Lírio da paz, Bandeira-branca, Espatifilo, Velas brancas
Família: Araceae
Clima: Equatorial, subtropical e tropical. Prefere ambientes quentes e úmidos, não gosta de frio.
Origem: Norte da América do Sul, especialmente Colômbia e Venezuela
Altura: 30-40 cm
Luminosidade: Cresce bem em ambientes sombreados, não aceitando luz direta do sol, o que ocasiona amarelamento das folhas.
Ciclo de Vida: Perene
Descrição: Planta herbácea de folhas coriáceas de cor verde escuro, ovais e pecíolo longo. As flores são brancas e sem aroma, constituída de uma espiga envolvida por uma bráctea chamada espata, que é uma folha modificada. Com o tempo costumam ficar verdes. O florescimento é constante, mais acentuado na primavera e varão.
Local de cultivo: Pode ser plantada tanto em canteiros como em vasos. Nos pátios e jardins é muito decorativo plantá-las em conjuntos ou como bordadura, mas sempre à sombra de árvores ou de muros.
Substrato: A terra precisa ser de textura porosa, orgânica, de fácil drenagem. Prefere pH por volta de 6. Misturas de turfa, areia e terra vegetal são as ideais.
Água: O solo precisa estar sempre úmido, sem ser encharcado. No período de crescimento as regas devem ser generosas. Tanto nos vasos como em canteiros é bom não molhar as flores para que não se deteriorem.
Temperatura: 15 – 30 º C
Adubação: Compostos orgânicos e húmus de minhoca. Usando NPK , a fórmula 10-10-10 pode ser aplicada 2 vezes ao ano, 1-2 colheres por vaso, dependendo do tamanho.
Propagação: Divisão de touceiras. Na base da planta mãe formam-se muitas mudas que facilmente são destacadas.
Pragas, doenças e outros problemas: Geralmente resistente a pragas e doenças. Mas podem ocorrer ataques de ácaros, cochonilhas, pulgões, moscas brancas além de lesmas. Folhas amareladas podem indicar a presença do fungo do gênero Cylindrocladium. Outros fungos também podem atacar as raízes causando apodrecimento (geralmente por excesso de irrigação). As folhas doentes devem ser eliminadas.
Outras considerações:
– O lírio da paz possui uma substância tóxica (oxalato de cálcio e toxalbumina) causadora de alergia.
– Por outro lado, ajuda a purificar o ambiente pois funciona como um filtro absorvendo substâncias nocivas
– Por razões estéticas faça poda de folhas secas e flores velhas
– Aquelas plantas cultivadas em interiores, que não apanham chuva, devem ter suas folhas limpas com pano úmido
– Por ser uma planta adaptada à água, pode ser cultivada em aquários
– Muito apropriada para utilização em fontes de água.

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