Momento perfeito

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Momento perfeito

O sol maravilhoso
faz as folhas das palmeiras
reluzirem ao longe
As borboletas dançam tão leves,
coloridas, luminosas
As vacas ruminam
num sonho distante, mas presente
Montanhas, pedras, pássaros e cães
parecem celebrar a vida,
tranquilos

A contemplação supera os conceitos,
o silêncio será muitas vezes
melhor que as palavras.
Entre escrever o desabafo
de seculares conteúdos,
já corroídos,
prefiro um poema
que cante o prazer
das coisas simples

Os desencontros
e desencantos sem fim,
paixões que não se explicam,
sonhos que não se cruzam,
rotas que se bifurcam
em direções distintas
Tudo é tão etéreo!
Como fazer para que todos os elementos
se mesclem em perfeito momento,
numa harmonia que nos deixe plenos
e nos devolva a alegria
dos pequenos, dos filhotes
daqueles que apenas são

Acho que não podemos fazê-lo,
nem criar, nem projetar
Talvez apenas soltar,
num lapso expandido
entre um pensamento e outro,
sem as cargas passadas,
sem as projeções do amanhã
Quem sabe, este espaço sutil
seja a morada
do amor

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Quadro de fundo: pintura em acrílico com textura e colagem da artista Kátia SalvI

Mini samambaia havaiana

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Nome científicoNephrolepis exaltata ‘Marisa’
Nomes populares: Mini samambaia havaiana
Família: Davalliaceae
Clima: Tropical quente e úmido
Origem: Híbrido
Altura: 30 – 40 cm
Luminosidade: Meia sombra
Ciclo de Vida: Perene
Descrição: Esta samambaia caracteriza-se por folhas finamente rendadas de 15 – 20 cm de comprimento, sendo bastante compactas, de cor verde claro. É uma das menores samambaias, combinando muito bem com vasos pequenos, gerando efeitos muito decorativos.
Local de cultivo: Ambientes iluminados porém sem incidência direta do sol. Ideal para interiores, aceitando lugares mais sombreados. É necessário boa circulação de ar mas não tolera ventos.
Substrato: Solos orgânicos e leves, ligeiramente ácidos. Uma mistura de turfa, areia e terra orgânica é recomendada para samambaias em geral.
Água: Os vasos devem sempre estar úmidos mas não encharcados.
Temperatura: 5º – 35º C
Adubação: Existem adubos especiais para samambaias nas lojas especializadas, sendo que a planta aprecia adubos orgânicos e húmus de minhoca.
Propagação: Por divisão de rizomas
Pragas, doenças e outros problemas: Não existem grandes problemas no cultivo desta samambaia. Os insetos não são atraídos por samambaias mas ocasionalmente aparecem pulgões ou cochonilhas. Podem ser combatidos por meio de produtos naturais (como extrato de nicotina, óleo de nim e óleos minerais) ou manualmente retirando os insetos e as folhas atacadas. A ferrugem (fungo Cercospora) pode ocorrer e o tratamento com sulfato de cobre (vendido em agro pecuárias) é indicado.
Outras considerações:
– Quando surgem folhas amareladas ou queimadas é preciso fazer uma poda de limpeza. Além da questão estética, isto dará maior circulação de ar e irá facilitar o surgimento de novas brotações.
– Esta planta é excelente para ser usada em fontes. No entanto, a poda mencionada acima precisa ser feita pois as folhas caem na água causando prejuízo no funcionamento do motor.

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Garuda

Garuda

Garuda

Rei dos pássaros,
veículo celestial,
tão brilhante
que fere os olhos
até mesmo dos deuses
Leva-me
em tuas asas de fogo
às regiões mais sutis,
além dos reinos perfeitos,
para provar do néctar
dos imortais
e finalmente
conhecer
quem sou !

Quadro: giz pastel seco sobre papel do artista Christian S. Wunderlich
Obs: Garuda é um ser mitológico nas culturas hindú e budista.

Substratos em orquídeas

Substrato no cultivo de orquídeas é aquele material que serve, principalmente, de suporte para a fixação das raízes , além de fornecer alguma fonte de nutrientes e ter capacidade de reter água. Os substratos devem permitir boa circulação de ar e rápida drenagem.
Categorias
Quanto ao substrato, as orquídeas podem ser divididas em algumas poucas categorias: terrestres, rupícolas e epífitas. As terrestres desenvolvem-se nos solos das florestas, vivendo das folhas e galhos em decomposição. As rupícolas fixam-se sobre rochas, geralmente formando touceiras sobre as pedras. E a grande maioria são as epífitas que vivem fixadas nas cascas das árvores (sem prejudicá-las) retirando nutrientes através de raízes que são cobertas com camadas de células brancas chamadas velame. Este velame age como uma esponja para absorver a água e protege as raízes do calor e perda de umidade.

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Ilustração de  Carl von Ossietzky da Universität Oldenburg – Alemanha

Epífitas e seu habitat natural
O hospedeiro apenas fornece suporte para as orquídeas que retiram nutrientes da superfície da árvore e da água da chuva. As raízes adventícias surgem do rizoma e cumprem a função de fotossíntese, absorção e armazenamento de água e nutrientes. As raízes destas epífitas contém cloroplastos para absorver a luz solar e por isto são verdes. Os pseudobulbos acumulam carboidratos, o que permite florescimento e crescimento em épocas secas. Já as folhas, são os órgãos primários para a fotossíntese e algumas são grossas e suculentas. É interessante o mecanismo evolutivo desenvolvido por estas folhas para situações de seca. A abertura dos estômatos para absorver o dióxido de carbono sempre gera perda de água. Para impedir que isto ocorra há um mecanismo que permite a absorção do dióxido de carbono à noite quando a umidade relativa é alta. Este composto é armazenado nos vacúolos e usado durante o dia para a fotossíntese.
Uma vez que vivem embaixo da copa das árvores, em relação ao sol, a luz é parcial, com vários gradientes. Na natureza, uma orquídea não irá se desenvolver em condições de luz que não seja a sua. E isto é fundamental de ser seguido quando as levamos para um orquidário.

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Já as sementes, no meio natural, são espalhadas pelo vento e são pequenas como um pó, carecendo de cotilédones. Isto faz com que não tenham substância de reserva. A solução foi uma interação com fungos que penetram a semente e alimentam o embrião. Nas espécies terrestres e rupícolas também ocorre esta simbiose.
Orquídeas que vivem em árvores requerem excepcional drenagem e aeração. Elas preferem ficar bem secas antes de nova irrigação. Assim, quando fixamos uma epífita em um pedaço de tronco, estamos dando a condição mais próxima do natural. O uso de vasos precisa respeitar estas duas condições: drenagem e aeração. É por isto que há a necessidade de trocar o substrato a cada 2-3 anos pois a parte orgânica se decompõe e fica com uma granulometria similar à terra, o que foge das condições citadas.
Tipos de substratos
Há uma quantidade enorme de materiais que podem ser combinados para formar o substrato dos vasos. Mas como já mencionado, importante é a capacidade para reter água e nutrientes e ter uma superfície adequada para as raízes se fixarem. Em geral é recomendável que seja balanceada entre componentes orgânicos e inorgânicos. Mas, cada um deve achar a melhor situação para o seu orquidário, sua região climática e as espécies que está cultivando. Tentarei analisar alguns substratos com os quais já lidei e posso emitir alguma opinião. No entanto, é certo que um bom tempo de observação é necessário para avaliar um determinado procedimento no cultivo de orquídeas. Pelo menos elas geralmente aguentam nossos erros e tentativas, possuindo muitos mecanismos de sobrevivência. Apesar que perder algumas plantas, eventualmente, faça parte do aprendizado.
Cascas de árvores – Existem no Brasil vários tipos de cascas que podem ser utilizadas como substrato, muitas encontradas apenas regionalmente. Duas são bem populares: a casca do Pinus e a da Peroba. A casca de Pinus é barata , facilmente obtida e retém água razoavelmente. Tem o inconveniente de possuir tanino (precisando ser curada) e se degradar rapidamente (cerca de 1-2 anos). Já a casca de Peroba tem maior durabilidade (até 5 anos) e retém pouca água. Por isto exigem mais regas. Já é mais difícil de adquiri-las, talvez em locais onde a árvore tenha seu beneficiamento. A Peroba forma excelentes troncos para fixar orquídeas.
Para cascas em geral, no comércio são oferecidas em tamanhos desde lascas bem pequenas até as mais grosseiras. E a desvantagem fica por conta da decomposição rápida e consequente compactação, o que aumenta a umidade podendo apodrecer as raízes. A troca de vaso , assim, precisa ser feita com muita frequência.

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Carvão vegetal – É aquele normalmente usado para fazer churrasco. É indispensável que seja novo pois aqueles que já foram usados podem prejudicar a planta. Sua composição química e capacidade de absorver água é variável segundo a espécie usada. Bem comum são os de acácia negra.
O carvão permite boa circulação de ar e drenagem. Retém água de forma moderada, permanecendo sem se degradar por cerca de 2-3 anos. O carvão é poroso e absorve minerais de interesse para a planta tanto quanto substâncias nocivas como resíduos de fertilizantes , defensivos agrícolas ou substâncias tóxicas. Portanto seu uso precisa ser moderado.
No entanto, é um elemento tradicional nas misturas para substratos. Existem pessoas que defendem seu uso alegando inclusive que tem efeitos anti-bacterianos. Há pesquisadores que constataram que há certas toxinas liberadas pelas raízes das orquídeas que seriam filtradas pelo carvão. Por outro lado, existem cultivadores que não o recomendam alegando inclusive a sujeira que gera seu manuseio.

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Fibras – As mais conhecidas são o xaxim e o coco. O xaxim (Dicksonia sellowiana) é uma pteridófita (samambaia) de cujos troncos se faziam vasos para a fixação de plantas (incluindo orquídeas). Mas por causa de uma exploração sem critérios, entrou em ameaça de extinção. Portanto, hoje está fora de cogitação.
Já a fibra do coco é obtida dos frutos que são desfibrados. Após são moldados em diversos formatos como vasos, placas ou bastões. Entre suas vantagens está uma boa capacidade de reter água, custo baixo, leves, fáceis de encontrar e considerável durabilidade. Mas também existem aqueles que não gostam do produto alegando acúmulo excessivo de umidade, presença de tanino (que queima as raízes) e, ao longo do tempo, as orquídeas param de crescer.

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Esfagno – É um musgo que se desenvolve em riachos, açudes e superfície de pântanos. Não sendo cultivado é extraído nestes locais. Isto os colocará logo em ameaça de extinção. Basicamente há o esfagno nacional e o chileno. Este último tem cor rosada em contraste com o outro que é claro (creme). Contém um antisséptico que inibe o crescimento de fungos.
Sua característica principal é a conservação de grande quantidade de água, secando lentamente. Assim, é muito usado em mudas novas e plantas que necessitam boa umidade. É ideal para salvar orquídeas que perderam suas raízes e precisam de recuperação. Para quem utiliza um substrato com base no esfagno, a irrigação deve ser criteriosa para não ocorrer excessos que causariam o apodrecimento das raízes. E é bem comum fornecedores de orquídeas não explicarem como cuidar das plantas cultivadas neste meio. Em condições de irrigação controlada e protegidas da chuva, dificilmente as plantas terão problemas. Mas ao comprar uma muda com esfagno (que estava em local coberto) e a colocarmos na rua, possivelmente haverá perdas em períodos de chuva continuada.
Nos Eua também há relatos de plantas cultivadas em substratos à base de esfagno que morreram pelo uso de adubos líquidos colocados diretamente no substrato. Isto porque o esfagno absorve a maioria da água (e o adubo fica junto) e ao evaporar fica uma alta concentração deste adubo, o que queima as raízes.

esfagno do Chile

Pedras – Geralmente são usadas britas, encontradas em lojas que vendem materiais de construção. Possuem várias granulometrias. É um material inorgânico que evita problemas normalmente comuns em outros substratos. Para começar, a competição por nitrogênio e outros elementos por parte de vários organismos (comum nos substratos orgânicos) desaparece. Como as britas são materiais inertes não se decompõem, evitando as frequentes trocas de vasos. E mesmo quando há necessidade de troca, pode-se reutilizar o substrato, após devida esterilização. Desta forma, o substrato com brita é muito atrativo principalmente em áreas com regime de chuvas intenso. Em locais mais secos a irrigação precisa ser mais frequente. As raízes das orquídeas se enraizam muito bem em pedras mas com sol muito intenso podem gerar aquecimento excessivo no substrato e queimar as raízes. Nestes casos é bom colocar um pouco de esfagno sobre as britas. Cattleyas e Laelias adaptam-se muito bem em brita.

brita

Turfa – É um material formado pela decomposição de musgos e vegetais acumulados em locais pantanosos e áreas alagadiças. Para epífitas, peneira-se a turfa para pegar os torrões maiores. É um conservador de umidade e rico em nutrientes. Mas tem um grande defeito, que é a rápida degradação, ficando como terra, deixando o conteúdo do vaso denso, sem aeração e facilitando o apodrecimento das raízes. Já para orquídeas terrestres é eficiente.
Argila expandida – São bolotas de argila feitas pelo homem. Não apodrecem, formam boa aeração e retém muita umidade. É ideal para misturas ou para colocar no fundo do vaso como drenagem.

argila

Cacos de cerâmica – São tijolos, telhas e vasos de argila quebrados em pequenos pedaços. São duráveis, conservam umidade, e proporcionam aeração. Mas além de não possuírem nutrientes, com o tempo, podem abrigar fungos. Como na argila expandida, é bom para drenagem ou em alguma proporção em misturas.
Caroços – O uso de sementes (açaí, amêndoa, etc) tem aumentado ultimamente principalmente no norte do país. É um material abundante e barato nesta região mas tem a desvantagem de decompor-se muito rapidamente, além de precisar secar os embriões para que não germinem.

açaí

Minerais – Principalmente são utilizados perlita e vermiculita, que são minerais de origem basáltica e vulcânica. Tem grande expansão ao serem aquecidas. Possuem uso industrial e agrícola. No caso das orquídeas, pode ser um componente do substrato. Conserva água e aumenta a aeração.

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Vermiculita

perlita

Perlita

Considerações finais
Resumindo, formular um substrato acaba sendo uma tarefa que reúne muitos elementos, desde o tipo de planta e vaso que estamos usando, os materiais disponíveis e o clima da região, até as preferencias pessoais. Já fiz experiências com vários substratos e num próximo texto pretendo falar especificamente sobre o uso da brita. Exclusivamente brita! E vem dando certo.

Amor humano

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Penso
ser o amor
algo transcendental,
impessoal, divino,
irradiante luz

Mas
é tão humano
esta falta
que o coração sente,
aquilo que nos completa,
nos preenche
e que ficou em algum tempo
numa lembrança tão distante…

Como compreender
esta misteriosa atração
que nos faz suspirar
ao leve toque da brisa?
E imaginamos
que podemos levar os pensamentos
a lugares distantes,
sussurrando a quem amamos
que sempre há um novo amanhecer
e que o amor sempre vem
em ciclos sem fim…

Nada tão humano,
mas será que não buscamos
em vão a satisfação?
Que nossas brumas
estão a esconder a harmonia
no íntimo do coração?
Acho que estou mais assim,
mas não deixo de imaginar
como seria o Sol- Lua de um
junto ao Sol- Lua do outro
Meu Sol que é teu,
tua Lua que é minha,
Sol-Sol , Lua-Lua,
nem Sol nem Lua,
mas o brilho indescritível
do amor…

Quadro de fundo: pintura em óleo sobre tela do artista Christian Wunderlich