Decorando árvores com orquídeas

Oncidium

Oncidium em pitangueira

Cultivar orquídeas em vasos é uma boa escolha mas elas também podem ser fixadas em árvores e outros suportes. Esta é uma maneira excelente para ocupar os espaços verticais tanto nos orquidários como nos jardins e árvores. Inclusive aproxima a planta de seu habitat nativo. Muitas orquídeas preferem esta opção, como as Vandas que precisam ter suas raízes expostas ao ar.

O aspecto estético deve ser planejado respeitando as necessidades da planta. As melhores orquídeas para este fim são aquelas com pseudobulbos bem desenvolvidos e raízes fortes. Mas pode-se usar além das já estabelecidas, plantas menores ou oriundas de divisões pois adaptam-se rapidamente em árvores.

Dendrobium nobile 3

Dendrobium nobile em palmeira real

Algumas orquídeas são melhores do que outras para fixar em suportes ou árvores. Espécies que requerem períodos secos se dão bem pois a água escorre com facilidade. Na escolha da árvore deve-se preferir aquelas com cascas mais ásperas, mas isto não é tão essencial. Também ajuda a presença de reentrâncias ou outros orifícios por onde as raízes se direcionam e se fixam, além de segurarem alguma água. Árvores que soltam as cascas não são recomendadas, pois podem também descartar a orquídea. Como exemplo de árvores adequadas pode-se citar a laranjeira, limoeiro, chorão, flamboyant, figueiras, palmeiras e muitas espécies de mato.

Tanto se fixadas em árvores ou outros substratos é importante observar o estilo natural de crescimento. Algumas tem uma orientação vertical, outras horizontal. O tipo de copa, permitindo mais ou menos luz, definirá a espécie de orquídea a ser fixada. Assim, Dendrobium, Cattleya, Vanda, Catasetum, Laelia são gêneros que precisam de mais luminosidade. Já Miltonia, Phalenopsis, Oncidium e micro-orquídeas preferem menos luz.

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Coelogyne flaccida em pitangueira

As plantas epífitas são responsáveis por percentual significativo da biodiversidade das florestas brasileiras, que formam um dos mais ricos e complexos ecossistemas da biosfera. É vital, portanto, para o sucesso do cultivo de orquídeas, estudar o local de procedência das espécies. Na verdade, estamos adaptando a planta a nossa realidade doméstica. Mesmo que hajam muitas informações científicas, cada pessoa precisa desenvolver suas próprias observações e conclusões. É comum haver discordâncias mesmo entre os orquidófilos sobre a forma de cultivar ou sobre algum determinado assunto. Assim, não pretendo ser rígido ou definitivo sobre algum procedimento. Levantando indagações podemos contribuir para a pesquisa e o aprimoramento na lida com as orquídeas.

Fixação de orquídeas em árvores

1 – Coloque um pouco de esfagno entre a planta e o tronco. Isto serve como uma pequena “almofada” para amortecer a pressão feita ao amarrar. Esfagno é um musgo com extraordinária capacidade de reter água. Mas também pode ser outro material como fibras de coco ou xaxim (para quem ainda tiver algum estoque).

2 – Descubra o posicionamento que fique mais seguro e natural para a planta. Coloque a base da orquídea no esfagno (ou outro material) e arranje as raízes de forma a poderem se expandir. Forquilhas naturalmente já são um apoio bom. Após cubra as raízes com fibra de coco ou mesmo um pedaço de juta (com trama mais aberta). Isto mantém alguma umidade para a planta.

3 – Amarre com cordões de algodão ou sisal pois estes irão se decompor, não causando prejuízos ao meio ambiente. Soltam-se em poucas semanas. Barbantes mais grossos são preferíveis. Os finos podem machucar as raízes. Fios de nylon, elétricos ou de telefone são flexíveis e aparecem como alternativa. Não amarre com muita força para não cortar os rizomas ou raízes. É conveniente amarrar não apenas as raízes mas também os pseudobulbos, evitando que possam ser danificados pelo vento. Mas nestes não é preciso prender com tanta força.

Rodriguesia

Rodriguezia em árvore nativa

4 – Após 6-8 semanas, que é o tempo que a planta leva para ficar estabelecida na árvore, retira-se todo o material que não é biodegradável (caso tenham sido usados).

5 – Observações:

– Orquídeas em árvores duram muitos anos, necessitando menos cuidados, embora nos períodos mais secos precisem ser molhadas. Fertilizantes podem ser aplicados mas elas já obtém nutrientes através das cascas da árvore que acumulam poeiras, fezes de animais, folhas que ali se prendem, etc.

Oncidium em palmeira

Oncidium em Jerivá

– Quando a planta emite raízes novas é sinal que as coisas estão indo favoravelmente. Por sinal, um ótimo momento para fazer o transplante para a árvore é quando a espécie está começando a lançar novas raízes. Folhas enrugadas ou ressecadas podem mostrar falta de água.

– Existem orquidófilos que colocam a planta diretamente no tronco com as raízes bem amarradas. Argumentam que colocar algum substrato induz a planta a fixar-se neste e não no tronco, retardando sua aderência ao hospedeiro. E as raízes estando expostas secam mais rapidamente o que diminui problemas com infecções de bactérias ou fungos. Por outro lado é preciso ter mais cuidado com a irrigação. Principalmente nos períodos ventosos ou secos. Orquídeas mais rústicas, como o Dendrobium, costumam ser mais fáceis de serem presas nas árvores com as raízes expostas.

– Uma outra alternativa, com efeito bem decorativo, é fixar a orquídea juntamente com algum recipiente, de preferência feito com materiais naturais, harmonicamente integrado à árvore. Como o exemplo das fotos onde o suporte é feito de folhas de Jerivá e coqueiro.

Orquídeas em troncos e outros suportes

Muda fixada

Cattleya em nó de pinho

É possível também fixar orquídeas em suportes como pedaços de troncos, nó de pinho, cortiça, xaxim (hoje proibido), cestos, ripas trançadas, etc. Até mesmo pedaços de árvores que flutuam nos rios e no mar (desde que bem lavados para retirar o sal) podem ser usados. O procedimento é similar ao descrito anteriormente na fixação em árvores. Certifique-se que os rizomas irão se conduzir alinhados ao suporte e não saindo deste.

Independente do local onde for pendurado (embaixo de árvores ou outro ambiente) mova com o tempo o suporte para diferentes pontos de luz e umidade até achar a situação ideal. Estas plantas precisarão menos trocas de substrato do que aquelas colocadas em vasos. No entanto, eventualmente, precisarão ser transferidas para outro suporte para a planta continuar crescendo saudavelmente. Se vários pseudobulbos saírem para fora , corte-os e acomode-os em outro local. Também quando o material começa a deteriorar-se, o melhor é prendê-lo a outro suporte novo e maior. Assim as orquídeas continuarão a crescer sem interrupção.

Lophiares pumila

Lophiaris pumila

Não é aconselhável molhar depois de trocar de suporte ou vaso. Isto parece não fazer sentido mas é uma prática comum, mantendo as raízes secas. A explicação é que ao mexermos nas orquídeas ao remanejá-las, as raízes nem sempre são capazes de absorver a umidade. Adicionar água seria como “afogar” a planta. Permitir que o ar circule pelas raízes ajuda a planta a recuperar-se e encoraja o crescimento de novas raízes.

Algumas considerações:

– Não compre orquídeas de pessoas que as coletam das matas pois além de virem geralmente danificadas, afetam a Natureza. Existem muitas empresas e pessoas idôneas para adquirir orquídeas.
– No caso de adubação foliar, procure molhar principalmente a parte inferior das folhas pois é aí que se encontram os estômatos que absorvem água e nutrientes.
– Anote o nome da espécie e dados que ajudem posteriormente o manejo,. como data de troca de substrato, época de floração, etc
– Estar ligado a uma associação de orquidófilos é uma forma muito eficiente de obter conhecimento práticos e estar atualizado sobre os principais eventos. Em Florianópolis existe a ASSOF e no interior catarinense há inúmeras associações.