Plantando árvores em vasos

Grumixama

Uma forma de estabelecer uma relação com a natureza, para quem mora nas grandes cidades, é o cultivo de plantas. Tanto em casas como em apartamentos, pode-se fazer hortas, pequenos pomares e jardins. Com fins paisagísticos ou meramente para nosso prazer e alimentação. A ideia não é nova. Desde a antiguidade as pessoas cultivam plantas em ambiente doméstico. No caso de árvores plantadas em vasos há citações entre gregos, romanos, persas, egípcios e, mais recentemente, na Inglaterra, França, Itália e outros países.

Plantar árvores em vasos é ideal para jardins onde o espaço é limitado. Os benefícios desta atividade são inúmeros. Gera um efeito agradável e ornamental, mais valorizado ainda quando utilizados vasos decorados e com formatos harmônicos. É possível cultivar árvores mesmo em pequenos espaços, podendo ser facilmente deslocadas para lugares mais adequados ou quando as condições climáticas forem muito adversas. E, mesmo quando ocorre uma mudança de residência, podemos levar as árvores conosco.

Mas para começar nesta atividade é indicado estudar as espécies escolhidas e planejar bem o local a ser utilizado. Estou envolvido no plantio de árvores há pelo menos 3 anos. Tenho uma centena delas, plantadas nestas condições, no pátio de minha casa. E estou diariamente aprendendo pois trabalho em uma grande floricultura onde sempre estamos lidando com estas tarefas. Considero os seguintes itens importantes para o sucesso em uma atividade desta natureza: a planta, o vaso, a drenagem, a terra, o plantio, a irrigação e a adubação.

A planta : O cultivo em vasos permite que inúmeras árvores possam ser utilizadas com este fim. Mas ao adquiri-las devemos levar em consideração algumas características importantes da planta e noções técnicas do método que está sendo utilizado. O melhor é escolher uma planta de tamanho médio, com galharia bem formada e distribuída. As folhas devem ser saudáveis, sem a presença de doenças ou ataque de pragas. Plantas muito pequenas precisarão ser cultivadas em potes menores até serem transplantadas para o vaso que queremos. Em geral, precisa-se de uma área de 2m² para cada vaso com árvores de porte médio ou maiores.

A finalidade das raízes, além da fixação, é a absorção de água e nutrientes. Temos que ter em mente que quando plantadas diretamente no solo, a exploração do espaço é muito ampla e em recipiente fechado, isto fica bastante limitado. Como consequência, o tamanho da planta também ficará limitado ao tamanho do vaso. A necessidade de irrigação e adubação, da mesma forma, irá aumentar.

Espécies muito vigorosas ou de crescimento muito rápido devem ser evitadas pois logo não se ajustarão e irão quebrar o vaso. Isto exigiria trocas constantes para recipientes maiores. Uma altura média ideal seria entre 1,5 a 2,5 m. Mas para cada local deve-se fazer um estudo. Escolha árvores que tenham crescimento lento ou moderado e que aceitem bem podas. Plantas que crescem até 30 cm por ano são consideradas de crescimento lento. Já um acréscimo anual de 30 a 60 cm indicam plantas de crescimento moderado.

Como exemplo, a nível de frutíferas, poderia ser citado: figo, pitanga, acerola, goiaba, araçá, cítricos, jabuticaba, bacupari, seriguela, romã, anonáceas, ameixa da mata, guabiroba, cereja do rio grande, cambuci, grumixama, cabeludinha, uvaia, entre tantas. Outras como ipês, pau ferro, pata de vaca, sibipiruna, canafístula, etc, que são maiores, também podem ser utilizadas, mas com os devidos cuidados para se manterem vistosas e saudáveis.

O vaso
: Os vasos que encontramos no mercado são de vários tamanhos e formatos. Esta diversidade dificulta a mensuração de volume mas o diâmetro é um bom parâmetro. Alguns informam o volume, o que ajuda muito. Selecionar o tamanho certo para a árvore que se pretende estabelecer é muito importante para proporcionar às raízes o espaço adequado para seu desenvolvimento.

Há duas situações que percebo nesta escolha:

1) Estima-se a altura que a árvore deverá atingir e optamos por um vaso definitivo. Para o tamanho até 2,5m, citado anteriormente, um diâmetro de 50 – 70 cm com profundidade similar estaria bem. Para árvores com tamanho menores, dimensões de 30 – 50 cm, tanto de diâmetro como de profundidade, seria o suficiente.

2) Inicia-se com uma planta pequena e periodicamente, vai-se trocando o vaso para tamanhos maiores, compatíveis com seu crescimento. Mas sempre devemos começar com um vaso no mínimo o dobro daquele em que a planta se encontra. Esta troca pode demorar um ano ou mais, dependendo das condições da árvore e do local.

Na dúvida, sempre é melhor escolher vasos maiores do que menores. Mas, no inicio, o vaso precisará de no mínimo 15 – 20 litros de volume para que as raízes possam se desenvolver bem. Existem também nas lojas do ramo, recipientes chamados de macetas (embalagem para mudas). São vasos plásticos reciclados, de consistência flácida, de diversos tamanhos e custo baixo. Servem de local intermediário para a planta, entre o desenvolvimento inicial até o plantio em local definitivo. Nas floriculturas e viveiros produtores é o recipiente mais utilizado. Se a pessoa tem espaço em sua casa ou propriedade, é possível cultivar, por longos períodos, árvores de qualquer porte. Desde que sejam adubadas periodicamente (por volta de 4 vezes ao ano) e tenham a maceta trocada por outra maior quando necessário.

Voltando aos vasos, restaria ainda comentar sobre os materiais utilizados. São muito variados. Cerâmica e concreto (vitrificados ou brutos), fibra de vidro, plástico, resinas, etc. Esta escolha dependerá da planta e do local. Ambientes ventosos exigirão materiais mais pesados e com diâmetro maior que a profundidade, para propiciar mais base.


Drenagem : É o processo de escoamento da água de irrigação (ou da chuva) que entra no vaso. Sua importância é muito grande pois sem fazê-lo a água se acumularia no fundo, ocasionando o apodrecimento das raízes. Na base deve haver pelo menos um furo. Se tiver mais melhor. 

Na sequência, coloca-se uma camada de 3 a 5 cm de brita ou argila expandida no fundo do vaso, tendo o cuidado de proteger o furo com algo maior, como um caco de telha ou pedra. Isto porque pode acontecer de alguma das bolotas de argila cair no furo e trancar a saída da água. Após, coloca-se o bidim. É um feltro poroso composto de milhares de filamentos sintéticos feitos da reciclagem de garradas pet. Sua finalidade é permitir que a água saia sem a perda de terra e servindo de barreira para que as raízes não atingirem o material drenante. Pode-se também colocar o bidim no fundo do vaso, abaixo das britas (ou argila). Claro que sem abdicar daquele colocado acima do material de drenagem.

A terra : Antes de tratar do item propriamente dito, gostaria de tecer algumas considerações sobre os tipos de “terra” oferecidos no mercado. Bem como alguns conceitos. Penso que há uma grande confusão sobre isto, ideias divergentes e, às vezes, equivocadas.

Pelo que aprendi na faculdade, o termo substrato vem do latim: sub (embaixo) e stratu (camada). Ou seja, é o que está abaixo de uma camada de qualquer natureza. Sua função é a fixação e desenvolvimento das raízes para propiciar o crescimento de uma planta. Já solo (ou terra), agronomicamente, é definido como uma mistura de rochas decompostas (processo que leva milhares de anos), organismos vivos, húmus (matéria orgânica em decomposição ou já decomposta), ar e água. A terra é o meio onde as plantas fixam as raízes e se nutrem. Assim, parece claro a meu ver que a terra é um substrato.

No entanto, à nível de comércio, estabeleceu-se uma diferença entre os termos. Terra é aquela que está na natureza e substrato é todo o material usado para o cultivo das plantas que não contenha a terra in natura. A partir destes dois conceitos fundamentais existem outros termos agregados que estão no dia a dia do mundo da jardinagem. E merecem ser estudados.

A terra vegetal ou orgânica ou preta é uma combinação da terra natural e matéria orgânica. Pode ser uma formação espontânea (pela decomposição de restos vegetais como folhas, galharias e frutos) ou pela adição de materiais orgânicos (como estercos, turfas, etc). No caso de ser de formação natural, geralmente a matéria orgânica tem camada bem superficial e, em um espaço de tempo curto, deverá receber um acréscimo nutricional com adubação.

Terra adubada é uma mistura de terra natural mais compostagem (ou outro adubo orgãnico) e/ou fertilizantes químicos.

Composto é o produto oriundo da decomposição de matéria orgânica. Pode ser de restos de cozinha, de podas, resíduos de culturas, etc. Todo o composto necessariamente possui etapas de decomposição e fermentação. Possui características físicas, químicas e biológicas que beneficiam a terra. Não deve ser usado isoladamente no cultivo de plantas, sempre misturado com o solo. Podem ser melhorados com a adição de cinzas, cascas de ovos moídas, etc.

Substrato é uma composição de diferentes materiais orgânicos e inorgânicos misturados. Proporcionam boa aeração, nutrientes e condições de desenvolvimento das plantas. Não contém terra natural e apresentam algumas vantagens por isto, bem como alguns inconvenientes. As vantagens são a leveza e a ausência de pragas e patógenos. A desvantagem maior é que com certeza há carência de algum elemento essencial que a terra naturalmente possui. E também substituem a terra apenas por um certo tempo pois não conseguem reter água adequadamente podendo gerar desidratação nas plantas se não irrigadas com a frequência necessária.

Condicionadores de solo são produtos que melhoram as condições e propriedades físico-químicas e biológicas do solo. Estas propriedades do solo incluem capacidade de troca de cátions, ph, retenção de água, compactação entre outras. Os condicionadores reparam os danos causados ao solo e ajudam a manter a qualidade necessária para a vida da planta.
Os condicionadores podem ser sintéticos, naturais, orgânicos e inorgânicos. Como orgânicos podemos citar a farinha de osso, compostos, palhas, vermiculita. Já o calcário, resíduos de siderurgia, fosfogesso são inogânicos.

Turfa é o produto da decomposição vegetal ao longo de milênios que deposita-se em camadas, sob certas condições. Incorporada ao solo, melhora as condições físico químicas do mesmo. Atualmente vem sendo muito utilizada na mistura de condicionadores de solo.

Húmus é uma camada na superfície da terra constituída pela decomposição total ou parcial de plantas e animais.

Húmus de minhoca é simplesmente o esterco de minhoca. A minhoca ao digerir a matéria orgânica em decomposição, absorve 40% deste material e o restante vira húmus. É um adubo que ativa o crescimento das plantas pela presença em sua composição de hormônios de crescimento e ácidos húmicos. Considera-se também que possui capacidade de controlar pragas e doenças, principalmente fungos. Possui cerca de 1,5% de N, 1,3 de P e 1,7 de K, além de Ca, Mg e inúmeros micronutrientes. Melhora as condições físico, química e biológica do solo.

Inoculante é um produto que introduz no solo microrganismos que fixam nutrientes para uso pelas plantas. A fixação de N é o mais comum. É altamente ecológico pois é um processo natural. Já a utilização de adubos nitrogenados emitem a cada cem kg aplicados no solo, uma tonelada de gases que causam o efeito estufa.

Talvez faltem algumas definições mas acho que o acima exposto já pode ajudar bastante. Ainda teria a salientar que dentro de uma classificação de corretivos do solo, podem existir produtos que se enquadram em mais de um conceito. O produto precisa ser avaliado por sua atuação no solo. Assim, quando os corretivos tomam o aspecto de fertilizante, inoculante ou condicionador de solo, devemos claramente definir o seu objetivo.
Voltando ao plantio de árvores, através da prática e observação, fui modificando o conteúdo dos vasos com o tempo. Hoje faço uma mistura de turfa (40%), barro adubado (20%), húmus de minhoca, esterco de galinha ou bovino (40%), mamona e pó de pedra basáltica (em quantidades menores) . Além disto acrescento NPK, em dosagens não muito elevadas e variando se for plantio ou manutenção. Em plantas mais exigentes em drenagem misturo uma parte de areia de rio lavada.

O plantio : Acima do bidim vai uma camada de terra e, na sequência, a planta com o torrão (o mais intacto possível). Lateralmente preenche-se com terra e aperta-se para a planta ficar bem presa. Verifica-se para que esta fique bem centralizada e vertical. Geralmente deixa-se o nível da superfície a uns 2-3 cm da borda do vaso. É opcional, mas recomendado, que haja alguma cobertura (como cascas de Pinus ou alguma matéria orgânica). Isto além da estética, protege o solo e mantém por mais tempo a umidade. E impede que respingos de terra sujem o chão ou a parede quando das regas.
O vaso deve ficar exposto a luz solar no mínimo de 4-6 horas. E, se possível, protegido dos ventos predominantes. Há também a questão da troca de vasos. O tamanho de uma árvore é normalmente proporcional ao seu sistema radicular. Assim, a cada 4-5 anos ou quando houver perda de vitalidade, deve-se fazer um replantio para um vaso maior ou no mesmo. Nesta ocasião poda-se algumas raízes que estão excessivamente enroladas, preenchendo-se com terra nova e irrigando diariamente por uma semana.

Irrigação : Possivelmente este seja o item mais importante ao cultivarmos árvores em vasos. Elas secam mais rapidamente do que quando plantadas no chão. Assim, precisam ser irrigadas mais vezes. Em geral, dependendo do clima da região, rega-se 2-3 vezes por semana. Até mais em verões muito quentes. No inverno, quando as plantas estão mais dormentes, necessitam menos água. Quanto menor for o vaso, mais importante será estarmos atentos a uma irrigação regular.

Adubação : É recomendado adubar a cada 3 meses. Um vaso tem um espaço reduzido de exploração de nutrientes pelas raízes. Diria que é um dos segredos do sucesso no plantio de árvores em vasos. Se faltam nutrientes, não apenas a planta mostrará sinais de falta de vitalidade, como também suas raízes poderão quebrar o recipiente. Isto porque no intuito de buscar novos espaços para sua nutrição, as raízes esbarram na parede dos vasos, forçam e os quebram.
Costumo fazer uma mistura organomineral e colocar sobre a superfície do vaso, molhando em seguida. Uso turfa + matéria orgânica (húmus de minhoca e ou esterco de galinha) + torta de mamona e pó de rocha basáltica, além de NPK 10-10-10 (1-2 colheres de sobremesa rasas / vaso).

Existem várias outras opções de fertilizantes que podem ser também utilizados. Mas importante é que se faça uma mistura que contenha além de NPK, os principais micronutrientes. No caso de matéria orgânica lembrem-se que não podem ser usadas puras. O ideal é de 30 a 50% da mistura. no caso de esterco de aves 30%.

Pragas e doenças : Mesmo que tenhamos todos os cuidados, ainda assim podemos estar sujeitos a pragas e doenças específicas para a árvore que cultivamos. Como lesmas, formigas, pulgões ou fungos. Neste caso, tomam-se as medidas indicadas para tal. Exige estudo profundo e pretendo ir abordando estes temas com o tempo.

Referências :
– Off the Grid News – Eight  advantages to container gardening
– Orange pippin trees.UK – Growing fruit trees in pots and containers
– Green Prophet – How to grow an olive tree in a container
– City of Sidney – Tips for growing trees in pots
– Paisagismo e jardinagem – aplicações do Bidim 
– Sistemas de produção – Substratos – Embrapa
– Life under your feet – What is soil
– Substratos – Cirilo Gruszynsky (Cultivo de flores)
– What Is Your Substrate Trying to Tell You Part I – Robert R. Tripepi – University of Idaho
– Turfa, húmus ou terra vegetal? – Jardim das idéias – Raul Cânovas
– Descubra o que a turfa é -Pensamento verde
– Condicionadores de solo – Agência Embrapa de informação tecnológica – Shizuo Maeda
– What is soil conditioner? – Mike Usry – Southland Organics
– Soil conditioner – Departament of Agronomy kansas State University – John Hickman
– Inoculantes e a sustentabilidade da agricultura – Embrapa agrobiologia
– Húmus de Minhoca: o adubo orgânico mais nobre do planeta – Fábio Morais
– Fotos dos vasos: Verde & Cia Garden Center – Florianópolis

Miltonia regnellii

Nome científico: Miltonia regnellii
Nomes populares: Miltonia, Flor da Páscoa, Dr. Regnell’s Miltonia (literatura inglesa)
Família: Orchidaceae
Clima: Temperado, principalmente de altitude.
Origem: Estados do sul do Brasil.
Altura da planta: Até 40 cm.
Ciclo de vida: Perene
Descrição: Epífita que forma grandes touceiras, folhas de até 20 cm de comprimento com 1 cm de largura. Possui inflorescência com hastes de 30 cm que abrem 7- 8 flores cada. A cor é branco e púrpura no centro, existindo algumas variedades amarelas com púrpura ou rosa. Cada flor tem 5 cm de diâmetro. O florescimento ocorre no verão.
Luminosidade: Sombreamento de 40% a 50%.
Local de cultivo: É de fácil cultivo, tanto fixada em árvores e pequenos troncos como em vasos.
Substrato: Diretamente nos troncos ou em vasos com brita e cascas. Pode-se colocar, inclusive, um pequeno tronco dentro do vaso (conforme foto).
Água: O substrato tem de ser bem drenado. Gostam de um período quase seco entre as regas. Umidade constante apodrece as raízes.
Temperatura: De 23°C a 30°C de dia e 15°C a 18°C à noite.
Adubação: Organomineral (1 colher a cada 2 meses) e NPK a cada 15-20 dias com quantidades menores no inverno.
Propagação: Divisão de touceiras, mantendo 4-5 pseudobulbos para cada muda.
Pragas, doenças e outros problemas: Cochonilhas e pulgões, além de formigas cortadeiras. Ferrugens e antracnose são doenças fúngicas as quais as Miltônias estão sujeitas.
Outras considerações:
– O nome regnelli é uma homenagem ao botânico sueco Anders Regnell que no século 19 estudou a flora brasileira.
Referências:
– Miltonia regnellii – Orquídeas do Rio Grande do Sul – Luiz Filipe Varella e Jacques Klein
– Miltonia – American Orchid Society by Dennis Dayan

Espinheira santa – Maytenus ilicifolia

maytenus-ilicifolia-folhasNome científico: Maytenus ilicifolia
Nomes populares: Espinheira santa, Cancorosa, Espinheira Divina, Cancerosa, Sombra de Touro.
Família: Celastraceae
Clima: Subtropical e temperado
Origem: Brasil, nos estados do sul. Podendo ser encontrada em outros países como Paraguai, Bolívia, Argentina e Uruguai.
Altura da planta: Até 10 m e também na forma arbustiva.
Luminosidade: Tanto em meia sombra como a pleno sol.
Ciclo de vida: Perene
Descrição: Árvore perenifólia de casca lisa, crescimento lento, folhas simples e alternadas, verde escuras e bordas com espinhos. O tamanho médio é de 8 cm de comprimento por 3 cm de largura. As flores são branco amareladas e os frutos são vermelhos com 1 cm de diâmetro. Pode ser confundida com a Maytenus aquifolia mas difere desta por ter ramos em ângulo e tronco com estrias longitudinais. A floração ocorre de agosto a outubro, frutificando de janeiro a março.
Local de cultivo: Naturalmente é planta de floresta não muito densa, próximo a rios e riachos. Encontrada em altitudes de até 1200 m. Pode ser cultivada tanto para fins econômicos (pelas propriedades medicinais) como também paisagísticos. É indicada na composição para o estabelecimento de matas, sendo seus frutos apreciados pela avifauna.
Solos e água: Prefere solos úmidos, ricos em matéria orgânica, argilosos e bem drenados.
Temperatura: Ideal entre 20º e 30º C
Adubação: Tanto adubos orgânicos como minerais.
Propagação: Sementes (coletadas quando os frutos estão abertos) e por estacas de raiz. As sementes possuem baixa taxa de germinação. As mudas novas desenvolvem-se melhor em temperaturas mais elevadas (de 20° C a 30°C). A semeadura deve ser realizada na primavera e o transplante no verão (final de fevereiro). Para fins comerciais a densidade por ha é de 4000 plantas, proporcionando rendimentos aproximados de 0,7 ton de folhas secas/ha/ano.
Pragas, doenças e outros problemas: Cochonilhas, formigas cortadeiras e pulgões são as principais ocorrências a nível de pragas. Quanto a moléstias, a literatura cita o aparecimento de ferrugens ocasionais, sem danos expressivos.
Propriedades medicinais: Várias pesquisas em universidades tem sido feitas sobre esta planta, com constatações científicas comprovadas. Possui terpenos, flavonoides, mucilagens, açúcares, ferro, enxofre, sódio, cálcio. Usado no tratamento de úlceras gástricas, gastrite, problemas estomacais e azia. Tem ação cicatrizante para a pele e considerado anti-inflamatório e antisséptico. Pesquisas na UFPR, ainda não completamente comprovadas, sugerem que a espinheira santa possui substâncias que podem dilatar os vasos sanguíneos, diminuindo a pressão arterial. Além disto, a empresa Klabin diz que o óleo contendo extrato de espinheira santa, aplicado em massagens, ajuda para dissolver os nódulos da celulite. Não há efeitos colaterais graves, mas pode haver contrações em grávidas, diminuição do leite em lactantes, secura na boca e enjoo. Pode ser abortivo e anticoncepcional.
Outras considerações:
– A presença de espinhos na borda das folhas aliado aos benefícios medicinais, inspirou o nome popular da planta.
– O outro nome (cancerosa ou cancorosa) veio por inspiração das culturas indígenas que a utilizavam no tratamento de tumores.
– É um a das ervas medicinais mais produzidas no Brasil.
– Há informações que as folhas moídas eram ou são usadas para adulterar a erva mate. Mas há uma explicação para tal fato. Antigamente usava-se uma mistura de 10% de espinheira santa na erva mate, pois isto aplacava uma acidez estomacal gerada em algumas pessoas com o consumo do chimarrão. Principalmente no Uruguai. Porém isto foi mais tarde considerado adulteração.
– No estado verde, os ramos são muito elásticos, o que credencia a planta para atividades artesanais.
– Planta com valor apícola.
Referências:
– Agrotecnologia para o cultivo da Espinheira Santa – Pedro Melillo de Magalhães
– Projeto FBS (Flora São Bento do Sul) – Paulo Schwirkowski
– Árvores do Sul – Paulo Backes e Bruno Irgang
– Espinheira santa – André May e Andrea Rocha Almeida de Moraes
– Ocorrência de cochonilhas em Espinheira Santa – Revista brasileira de plantas medicinais vol. 15 n° 2 / 2013
– Um santo remédio? Revista Ciência hoje – Guilherme de Souza
– Só uma santa para derrotar a celulite – Liana John
– La congorosa (Maytenus ilicifolia): Un pequeño gran arbusto indígena – Ricardo Carrere

Mata Atlântica

Anitápolis SC

Nosso país tem incrível variedade de matas e vegetações típicas, em diferentes latitudes e topografias. Somos praticamente um continente. E é algo de absurdo a quantidade de seres que habitam estes locais. Muitos dos ecossistemas são bastante frágeis e estão sendo destruídos impiedosamente. As espécies vegetais e animais levam consigo informações genéticas que possuem uma história evolutiva de milhões de anos. Quando um sistema natural é destruído, todo este conhecimento se vai, sem ao menos termos tido ainda a capacidade de compreendê-los. Perdem-se como areia escorrendo pelos dedos de nossas mãos, que ficarão vazias.

No Brasil original a Mata Atlântica possuía aproximadamente 1.300.000 Km2, acompanhando o litoral do Rio Grande do Sul até o Piauí. Hoje temos apenas 10% desta área. O risco que esta mata corre é que 70% da população brasileira vive aí. E por mais avanços que possam ter ocorrido, pelo surgimento de reservas e RPPNs ao longo dos últimos anos, pela divulgação educativa sobre o tema, isto parece ainda não suficiente para sensibilizar a população.

Não esqueçam que uma floresta purifica o ar, protege o solo, mantém o clima estável, e faz com que as nascentes e os rios fiquem limpos. Simplesmente a água que bebemos. E sem esta nem a vida existiria. Sem falar que uma mata nos traz sentimentos elevados, inspira nossos seres com uma beleza harmônica e enche de ar puro nossos pulmões poluídos. Todos os seres tem direito à vida. Não deveríamos mais parar de estudar e obter conhecimentos para nos relacionar de forma mais inteligente e saudável com o meio ambiente.

De minha parte este é o objetivo. Plantar e plantar árvores, até o último suspiro. Não me interessa o que dizem os canalhas que querem ditar nosso rumo, que invertem valores para favorecer seu lucro pernicioso. Não adianta maquiar como fazem certas mídias que só mostram vantagens com a destruição do ambiente. Não é o agronegócio que está errado. É a forma como é feito e a intenção nefasta de seus executores que precisaria ser alterada.

Com a destruição de uma floresta, queimam-se princípios ativos preciosos, no sentido medicinal e nutricional. Um hectare de pastagem serve para alimentar um único boi ou menos (em média) que depois de 2 ou mais anos vai render uns 250 kg de carne. E as poucas toneladas por ha obtidas dos grãos brasileiros que servem para alimentar os animais da Europa ou China? Vale este sacrifício? Não estou dizendo que deva-se parar de produzir estes alimentos, mas até quando vai haver desmatamento para estes fins?

Não admito ser pessimista. Mas se algo rapidamente não for alterado, em vez de cachoeiras como na foto inicial, em Anitápolis SC, teremos paisagens de Marte por aí. Adoro o tema astronomia, a exploração espacial e de outros mundos. Algo que me parece irreversível. Mas não seria melhor conjuntamente a isto, cuidar do que temos, algo que parece tão raro, um planeta com vida extraordinária?
marte

Pau ferro – Caesalpinia ferrea

65-rio-pardoNome científico: Caesalpinia ferrea variedade leiostachya
Nomes populares: Pau ferro, Jucá, Ibirá-oti, Jucaína, Muiarobi, Muiré-itá, Leopard Tree
Família: Fabaceae (Leguminosae), subfamília Caesalpinioideae
Clima: Tropical e tropical úmido
Origem: Brasil, nativa da Mata Atlântica
Luminosidade: Sol pleno
Ciclo de Vida: Perene
Descrição: Árvore de grande porte, de até 30m de altura, diâmetro de copa de aproximadamente 10 m, semidecídua, com tronco claro e liso, aspecto marmorizado, perde as cascas com o tempo apresentando tons acinzentados. Folhas compostas, bipinadas, verde escuro, avermelhadas quando novas. Floresce na primavera e verão com flores amarelas pequenas. O fruto é duro, amadurecendo no inverno.
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Local de cultivo: Bastante utilizado em praças, parques e ruas por sua beleza. As raízes, apesar do porte da árvore, não causam danos. No entanto, não é conveniente plantar esta espécie próximo à rede elétrica pois seus galhos quebram com facilidade, podendo causar danos durante vendavais e tempestades. Nas zonas rurais, além da beleza, produz boa sombra.
Solos e água: Prefere solos úmidos, profundos, boa drenagem e textura argilosa.
Temperatura: 20° C a 27°C
Adubação: Incorporação periódica de adubos orgânicos.
Propagação: Por sementes, que devem ser escarificadas antes do plantio. Germinam após 20-30 dias. Neste estágio não toleram temperaturas muito baixas. Semeaduras de Julho a Setembro.
Pragas, doenças e outros problemas: Não possui pragas e doenças significativas. Pode-se citar alguns lepdópteros, coleobrocas, besouros da família Scolytidae (com danos não expressivos) e formigas do gênero Atta.
Outras considerações:
– Possui madeira dura, durável e resistente. Usada na fabricação de instrumentos como violões e violinos, na construção civil e na marcenaria.
– Excelente para reflorestamento em áreas degradadas.
– Melífera e medicinal.
– Apenas como citação, o Pau ferro seria indicado no tratamento de úlceras gástricas, diabetes, cólicas intestinais, afecções das amídalas e pulmões, febre e tosses. Existem pesquisas sendo feitas e não há a identificação de efeitos colaterais até o momento.
– A parte utilizada para chás, xaropes e tinturas é a casca, com propriedades antisépticas, antimicrobianas, adstringentes e depurativas.
– O pó da casca do pau-ferro é usado no tratamento de feridas cutâneas no nordeste do Brasil com bons resultados, segundo citação da pesquisa realizada  no Centro Universitário Barão de Mauá em Ribeirão Preto, SP.
– O nome Pau ferro é dito ter surgido pelas faíscas geradas pelo machado ao bater em seu tronco duro.
– O outro nome, Jucá, é de origem tupi: Yu Ká, que significa “matar”. Isto refere-se às clavas feitas de pau ferro usadas como armas.
– É considerado de crescimento rápido, por volta de 1 m por ano.
– A abelha Melipona subnitida é de grande importância na polinização.
Referências:
– Jardineiro.net – Raquel Patro
– Portal da Câmara dos deputados – Pau ferro
– Remédio caseiro – Nayla Geórgia
– Identificação de espécies florestais – IPEF
– Aspectos dendrológicos e insetos associados ao Pau ferro – X Congresso Nacional do Meio ambiente
– LORENZI, H. Árvores brasileiras: Manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil
– Instituto brasileiro de florestas – Pau ferro
– Conheça o pau ferro – Alessandra Teixeira Silva
– Pau ferro – Natureza bela, Agefran Costa
– Alarich Schultz – Botânica sistemática
– Caesalpinia ferrea – Brazilian ironwood – Flowers of Índia
– Brazilian ironwood – Plantwerkz
– The Brazilian Leopard Tree – Caesalpinia ferrea – Jerry Meisli
– Avaliação da atividade cicatrizante da Caesalpinia férrea ex. TUL. var ferrea e da Aloe vera (L.) Burm. f. em lesões cutâneas totais em ratos
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Ser natural

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Amo todas as matas. Mas aquela que mais me atrai é a que chamam Mata Atlântica. Parece ali que a Natureza caprichou em harmonia, beleza e diversidade. Sempre que visito um local destes, sinto que estou chegando em casa. Penso que minha alma combina com aquelas formações tão mágicas. Cada pedacinho destes lugares evoca alguma reflexão, um conhecimento, uma inspiração. Evidencia muitas das questões humanas : a ideia da unidade entre todas as criaturas, os ciclos em rondas intermináveis, a manifestação da vida, a morte e a transformação. Tudo de forma tão poética. E mesmo na fúria dos elementos há um equilíbrio coerente.

Estou há 60 anos neste planeta. É uma insignificância no deslizar do tempo, mas o suficiente para um humano clarear seus rumos. Vivi até agora intensamente, viajei por vários locais, estudei muitas culturas, filosofias, formei família, tive filhos, servi a sociedade de várias formas. Agora é um momento onde começo a planejar a volta ao campo, ao natural. Quero deixar as atribulações urbanas para me interiorizar no silêncio e na harmonia dos elementos. Ser natural é um estado de consciência, uma serena e constante satisfação. Não que para obter-se tal situação seja preciso um retiro. Cada dia, em qualquer lugar, temos uma nova oportunidade de viver o presente, sem nos concentrarmos tanto no emaranhado de impressões passadas ou nos anseios por situações futuras que podem não passar de delírios.

Tenho vários projetos a materializar desde como implantar novas florestas, a formação de trilhas para observar orquídeas e pássaros em seu ambiente silvestre, a elaboração de uma residência integrada ao ambiente, a utilização de energias alternativas, até coisas específicas de como construir um forno de barro ou um fogão à lenha. Claro que não poderia esquecer do estudo e do cultivo das plantas benéficas que são vitais para nossa existência.

Penso que o ser humano precisa desenvolver novas formas de se relacionar com o meio e os demais. Uma mentalidade de integração e respeito. Não somos nada sozinhos. Desta forma, gostaria de compartilhar neste blog todos estes estudos assim como a manifestação prática destas ideias. E, é claro, receber o contato das pessoas em um intercâmbio construtivo.

Saúdo a todos os seres. Que a vida possa ser celebrada com paz na mente e luz no coração.

Phalaenopsis – A orquídea borboleta

DSC05837Nome científico: Phalaenopsis spp 
As plantas encontradas no mercado são todas híbridas, mas em estado natural existem inúmeras espécies, possivelmente mais de 60. Como exemplo pode-se citar: P. amabilis, aphrodite, braceana, celebensis, chibae, cochlearis, corningiana, cornu-cervi, deliciosa, doweryensis, equestris, fasciata, fimbriata, floresensis, fuscata, gibbosa, gigantea, hainanensis, hieroglyphica, honghenensis, inscriptiosinensis, javanica, kunstleri, lindenii, lobbii, lowii, lueddemanniana, maculata, mannii, mariae, micholitzii, minus, modesta, pallens, pantherina, parishii, philippinensis, pulchra, reichenbachiana, sanderiana, schilleriana, speciosa, stobartiana, stuartiana, sumatrana, tetraspis, venosa, violacea, viridis, wilsonii .
Nomes populares: Phalaenopsis, orquídea borboleta
Família: Orchidaceae
Clima: Esta orquídea adapta-se a praticamente todos os tipos de clima. No entanto, preferem os mais quentes. Em seu habitat nativo crescem em florestas úmidas e com temperaturas de amenas para quentes, florescendo praticamente todo o ano.
Origem: Possui uma ampla distribuição pelo sudeste da Ásia, desde o sul de Índia, Sri Lanka, China, Taiwan, Indonésia, Tailândia, Malásia, Myanmar, Filipinas até a Austrália e Nova Guiné.
Altura da planta: As hastes florais podem atingir 80 cm, sendo que nas mini Phalaenopsis chegam a 30 cm.
Luminosidade: Não toleram altos níveis de luz, preferindo boa luminosidade mas não incidência direta dos raios solares. O sol direto queima as folhas, deixando-as amareladas, com manchas marrons ou brancas. Em interiores o melhor local é na proximidade de uma janela.
Phaleanopsis 4
Ciclo de vida: Perene. Bem cuidadas duram anos.
Descrição: A Phaleanopsis é uma orquídea epífita, de crescimento monopodial, habitando as florestas úmidas e quentes, protegidas da luz direta do sol pelas copas das árvores. As folhas novas vão surgindo de seu centro enquanto as velhas, na parte traseira, ficam amareladas com o tempo e caem. As folhas são grossas e suculentas mas por serem de regiões úmidas não são capazes de armazenar água por muito tempo. A coloração é verde escura, com comprimentos que chegam até 40 cm e 10 cm de largura. Formam pares opostos e, geralmente, em número de 4-5. Da base do talo principal nascem vigorosas raízes que tanto fixam-se nos troncos com também ficam aéreas.
No Brasil florescem de 1 a 3 vezes ao ano, dependendo da região e da forma como são cultivadas. A haste floral surge da base das folhas, medindo em geral 60 cm, mas podendo atingir até 1 m. Nas mini não passam de 25-30 cm. As flores são arredondadas com as pétalas superiores bem desenvolvidas e o labelo menor. As cores são muito variadas devido aos cruzamentos. Seu tamanho médio é de 6-8 cm. Chegam a durar 3 meses ou mais.

Phalaenopsis 2

Local de cultivo: São das poucas orquídeas que podem ser cultivadas em interiores, bastando ter as condições mínimas de desenvolvimento. Em áreas externas podem ficar sob telas (sombrites) ou fixadas em árvores. Preferem vasos plásticos transparentes pela fotossíntese realizada pelas raízes. Mas também podem ser cultivadas em vasos de outra cor ou de cerâmica. Outra possibilidade é fixá-las em pequenos troncos.
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Substrato: Podem ser utilizados vários tipos de substratos como cascas, fibras, brita, argila expandidas, esfagno, carvão, etc, sempre visando boa drenagem e aeração. Cada orquidófilo deve adequar-se em função do seu local de cultivo e das exigências de cada orquídea. Assim, por exemplo, o uso exclusivo de esfagno ou fibras de coco, como muitas Phalaenopsis são comercializadas, exigem uma irrigação mais moderada pois estes substratos retem muita água. Molhar com muita frequência nestes casos resulta em apodrecimento das raízes e surgimento de doenças. Uma mistura de cascas de Pinus, carvão e brita (ou argila expandida) é um bom substrato. 
Ver postagem : Substratos em orquídeas
Água: São plantas que requerem irrigação regular. Em geral, dependendo do substrato, pode-se indicar a colocação de água 1 vez por semana. Mas no verão, em dias muito quentes, pode ser a cada 3-4 dias e no inverno chegar a intervalos de 10- 14 dias. É importante que haja um período seco entre as regas. Colocar o dedo no substrato é uma forma boa de avaliar a umidade do vaso.
Vasos de argila pedem mais irrigação pois este material “chupa” a água colocada. O horário da manhã é preferível do que à tarde. Outra recomendação que faço é a de não deixar água acumulada no centro das folhas, o que favorece a “Podridão mole”.

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Temperatura: A faixa preferida da Phalaenopsis está entre 15º C e 30° C.
Adubação: Sugiro a leitura das seguintes postagens em Iracema fontes e orquídeas: Nutrição em orquídeas / Deficiências nutricionais em orquídeas / Adubação em orquídeas / Adubação de orquídeas com pó de basalto. Penso que nestes textos apresentei os principais tópicos referentes à adubação. Sempre recomendo que cada um descubra o método adequado para seu espaço e suas plantas. Utilizo NPK nas dosagens e frequência indicadas nos textos citados e também adubos organominerais. Considero muito corretas as colocações de Darly Machado de Campos em seu livro Manual prático de nutrição.
Muitas pessoas tem restrições a adubos químicos e, neste sentido, podem utilizar aquele adubo organomineral sugerido pelo Eng. Agr. Giorgini Venturieri com 4 partes de torta de mamona, 2 partes de farinha de ossos, 1 parte de cinzas. Também o pó de basalto é excelente. Nas experiências que estou fazendo com Phaleanopsis fixadas em troncos, utilizo pulverizações com NPK e, em algumas estou tentando apenas o uso de chorume na proporção com água de 1:15. Estas orquídeas estão em orquidário, com telado de 50 a 70% de sombreamento, expostas à chuva. Em períodos mais secos pulverizo água nas raízes com frequência, similar ao trato com Vandas.
É preciso ser bem cauteloso nesta questão de adubação. No espaço natural, as orquídeas não recebem doses maciças de nutrientes. Assim adubações frequentes demais ou além das doses recomendadas, geram uma salinização no substrato que será prejudicial à planta. Portanto, mesmo que muitas instruções de adubos químicos indiquem pulverizações semanais ou quinzenais, 1 vez por mês já pode ser suficiente. Ou também pode-se adotar pulverizações mais frequentes com proporções de adubo bem abaixo do recomendado.
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Propagação: Não apresenta a formação de mudas laterais. Assim a multiplicação por divisão, como nas espécies simpodiais, não é possível. Às vezes, keikis se formam nos nódulos das hastes florais. Estas pequenas mudas podem ser destacadas quando suas raízes atingirem por volta de 8-10 cm e colocadas em outro vaso. Comercialmente, a propagação é por sementes ou meristemas (gemas).
Pragas, doenças e outros problemas: Das doenças causadas por bactérias destacam-se a podridão mole (Erwinia carotovora) e a mancha marrom (Acidovorax cattleya). É basicamente preventivo o controle destas doenças mas uma vez instaladas deve-se cortar as partes atingidas aplicando Aloé e canela no local. Tratamentos com Tetraciclina ou Sulfato de cobre sobre o restante da planta são indicados por alguns orquidófilos. Mais detalhes sobre estes patógenos encontram-se na postagem Doenças causadas por bactérias em orquídeas.
Das doenças fúngicas, as mais comuns são o mofo cinzento (Botrytis cinerea), antracnose (Colletotrichum), fusariose (Fusarium), podridão negra (Phytophthora e Pythium), podridão das raízes (Rhizoctonia), murcha do Sclerotium (Sclerotium rolfsii), entre outras. Ver descrição dos sintomas em Doenças fúngicas em orquídeas.

Mancha marrom

Mancha marrom

Antracnose 1

Antracnose

Podridão mole

Podridão mole

Das pragas, a cochonilha farinhenta (Dysmicoccus brevipes) é uma das mais importantes. As fêmeas são ápteras estabelecendo-se nas folhas e fendas, cobertas por cerosidades similares a uma farinha e sugam a seiva da planta. Os ovos são colocados sob estas proteções cerosas (de 50 a 100 por indivíduo). Já os machos são alados, vivendo apenas o tempo para fertilizar as fêmeas. Também cochonilhas de carapaças atacam as Phaleanopsis. Estas pragas são difíceis de combater com inseticidas principalmente as de carapaça. Mais adequado é o uso de soluções com óleo mineral pois impermeabilizam as coberturas ceráceas, matando a cochonilha por asfixia. Caldas de fumo, com aplicações intercaladas com a indicação mineral, também contribuem para eliminar este inseto. Em pequenos orquidários o melhor é estar sempre atento e eliminar estas pragas manualmente, esmagando-as com um cotonete úmido. No comércio existem inseticidas específicos para tal fim (mas é preciso ser cauteloso pela toxidade dos produtos). As joaninhas e algumas vespinhas são predadores naturais.

Cochonilha

Cochonilha

Ácaros se beneficiam de tempo quente e seco. Os sintomas deixam as folhas
esbranquiçadas ou prateadas. Portanto, o aumento da umidade ambiental ajuda a controlar esta praga.
Também não se pode deixar de citar os ataques de lesmas e caracóis. Ler o artigo deste blog Caracóis em orquídeas.
A Phalaenopsis também sofre com o frio e a exposição ao sol. No caso do frio, surgem lesões e descoloração, ficando a planta suscetível ao ataque de patógenos. Já os sintomas da exposição direta ao sol mostram manchas secas, esbranquiçadas com um anel escuro ao redor. A planta deve ser mudada de local e não é necessário fazer nada pois o dano não se alastrará.
Outras considerações:
Phalaenopsis é uma palavra de origem grega, formada por “phal” (mariposa ou borboleta) e “opsis” (aparência). A planta em floração lembra borboletas em voo.
– Estas orquídeas sentem ar condicionado, podendo desidratar e morrer.
– A ausência de floração pode ser por falta de luz.
– Botões murchos ou queda dos botões florais pode ser indício de umidade insuficiente no ambiente. Ou o efeito de temperaturas noturnas muito baixas.
– Ocasionalmente, quando o substrato estiver deteriorado ou o pote ficar pequeno para a orquídea, faz-se um transplante para um recipiente mais adequado.
Referências:
– Phalaenopsis, the Genus – American orchid society
– Habitat, distribuition and ecology of Phalaenopsis species – ranwild.org
– Phalaenopsis (moth orchids) – Royal horticultural society
– How We Grow Phalaenopsis – Robert Fuchs
– Jardineiro.net – Raquel Patro
– Manual prático de nutrição – Darly Machado de Campos
– Complete Guide to Orchids – Miracle-gro – USA
Dysmicoccus brevipes – Defesavegetal.net
– Doenças de orquídeas – João Araújo
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